Olá Turma.
Para quem esta interessado em Estimulação e brincadeiras.
Que tal a leitura deste livro:
JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS: A LINGUAGEM
LÚDICA FORMATIVA NA CULTURA DA CRIANÇA.
Vocês o encontrarão em
http://www.ffllipe.ufms.br/material/fasciculo_Jucimara_Rojas__Jogos,_brinquedos_e_brincadeiras_a_linguagem_ludica_formativa_na_cultura.pdf.
Boa leitura.
Esse Blog é destinado aos alunos das disciplinas de Psicologia Escolar e Educacional e para disciplina Psicologia Escolar e Problemas de Aprendizagem. PEPA
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Brincar e
Boa Noite:
colunista da Folha de S.Paulo
A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho.
Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne".
Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso.
Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "Uti" significa o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para obter uma outra coisa. "Frui" significa fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma.
A ordem do "uti" é o lugar do poder. Todos os utensílios, ferramentas, são inventados para aumentar o poder do corpo. A ordem do "frui" é a ordem do amor —coisas que não são utilizadas, que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são para serem usadas, mas para serem gozadas. Aí você me pergunta: quem seria tolo de gastar tempo com coisas que não servem para nada? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta sem tinta...
Faz tempo, preguei uma peça num grupo de cidadãos da terceira idade. Velhos aposentados. "Inúteis" —comecei a minha fala solenemente. "Então os senhores e as senhoras finalmente chegaram à idade em que são totalmente inúteis..." Foi um pandemônio. Ficaram bravos, me interromperam e trataram de apresentar as provas de que ainda eram úteis. Da sua utilidade dependia o sentido de suas vidas.
Minha provocação dera o resultado esperado. Comecei, mansamente, a argumentar. "Então vocês encontram sentido para suas vidas na sua utilidade. Vocês são ferramentas. Não serão jogados no lixo. Vassouras, mesmo velhas, são úteis. Uma música do Tom Jobim é inútil. Não há o que fazer com ela. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que se parecem mais com as vassouras que com a música do Tom... Papel higiênico é muito útil. Não é preciso explicar. Mas um poema da Cecília Meireles é inútil. Não é ferramenta. Não há o que fazer com ele. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que preferem a companhia do papel higiênico à do poema da Cecília..." E assim fui acrescentando exemplos. De repente os seus rostos se modificaram e compreenderam... A vida não se justifica pela utilidade, mas pelo prazer e pela alegria —moradores da ordem da fruição. Por isso Oswald de Andrade, no "Manifesto Antropofágico", repetiu várias vezes: "A alegria é a prova dos nove, a alegria é a prova dos nove...".
E foi precisamente isso o que disse santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência (saúde é uma das coisas que moram na caixa de ferramentas. Saúde é poder. Mas há muitas pessoas que gozam de perfeita saúde física e, a despeito disso, se matam de tédio). As ferramentas não nos dão razões para viver; são chaves para a caixa dos brinquedos.
Santo Agostinho não usou a palavra "brinquedo". Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez ou bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: tudo isso não leva a nada. Essas coisas não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, "play". No alemão, "spielen". Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.
Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente, não há avaliações de múltipla escolha para medir alegria...
Rubem Alves, 12+7+11+10+30, segundo as metamorfoses por que passei. Acabo de ler o livro mais inteligente e leve sobre como despertar nas crianças e nos jovens o prazer da leitura: "Como um Romance", de Daniel Pennac (Editora ASA, Portugal).
Site: www.rubemalves.com.br
Para os alunos interessados em estimulação de crianças menores.
Texto:
Rubem Alves: A caixa de brinquedos
Rubem Alvescolunista da Folha de S.Paulo
A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho.
| Marcelo Zocchio |
Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne".
Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso.
Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "Uti" significa o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para obter uma outra coisa. "Frui" significa fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma.
A ordem do "uti" é o lugar do poder. Todos os utensílios, ferramentas, são inventados para aumentar o poder do corpo. A ordem do "frui" é a ordem do amor —coisas que não são utilizadas, que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são para serem usadas, mas para serem gozadas. Aí você me pergunta: quem seria tolo de gastar tempo com coisas que não servem para nada? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta sem tinta...
Faz tempo, preguei uma peça num grupo de cidadãos da terceira idade. Velhos aposentados. "Inúteis" —comecei a minha fala solenemente. "Então os senhores e as senhoras finalmente chegaram à idade em que são totalmente inúteis..." Foi um pandemônio. Ficaram bravos, me interromperam e trataram de apresentar as provas de que ainda eram úteis. Da sua utilidade dependia o sentido de suas vidas.
Minha provocação dera o resultado esperado. Comecei, mansamente, a argumentar. "Então vocês encontram sentido para suas vidas na sua utilidade. Vocês são ferramentas. Não serão jogados no lixo. Vassouras, mesmo velhas, são úteis. Uma música do Tom Jobim é inútil. Não há o que fazer com ela. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que se parecem mais com as vassouras que com a música do Tom... Papel higiênico é muito útil. Não é preciso explicar. Mas um poema da Cecília Meireles é inútil. Não é ferramenta. Não há o que fazer com ele. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que preferem a companhia do papel higiênico à do poema da Cecília..." E assim fui acrescentando exemplos. De repente os seus rostos se modificaram e compreenderam... A vida não se justifica pela utilidade, mas pelo prazer e pela alegria —moradores da ordem da fruição. Por isso Oswald de Andrade, no "Manifesto Antropofágico", repetiu várias vezes: "A alegria é a prova dos nove, a alegria é a prova dos nove...".
E foi precisamente isso o que disse santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência (saúde é uma das coisas que moram na caixa de ferramentas. Saúde é poder. Mas há muitas pessoas que gozam de perfeita saúde física e, a despeito disso, se matam de tédio). As ferramentas não nos dão razões para viver; são chaves para a caixa dos brinquedos.
Santo Agostinho não usou a palavra "brinquedo". Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez ou bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: tudo isso não leva a nada. Essas coisas não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, "play". No alemão, "spielen". Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.
Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente, não há avaliações de múltipla escolha para medir alegria...
Rubem Alves, 12+7+11+10+30, segundo as metamorfoses por que passei. Acabo de ler o livro mais inteligente e leve sobre como despertar nas crianças e nos jovens o prazer da leitura: "Como um Romance", de Daniel Pennac (Editora ASA, Portugal).
Site: www.rubemalves.com.br
Plantão Psicologico na Escola
Olá Turma.
Boa Noite.
Os interessados no plantão psicológico na escola, alguns textos interessantes.
PAPAE: A HISTÓRIA DO PLANTÃO PSICOLÓGICO DA APAE DE MONTES CLAROS-MG.
Boa Noite.
Os interessados no plantão psicológico na escola, alguns textos interessantes.
PLANTÃO PSICOLÓGICO NA ESCOLA: a contribuição de um espaço para o crescimento do aluno como pessoa
Rumena Cruz Lages
(texto de power point)Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Unidade São Gabriel Orientadores: Paulo Pacheco/ Raquel dos Santos Belo Horizonte 2005 Introdução “O que me fez pensar no assunto?” Estágio Supervisionado – Plantão Psicológico na Escola Projeto realizado na Escola Estadual Professor José Antônio Ribeiro Filho em 2003. Retorno à escola - Qual a contribuição do Plantão Psicológico para os alunos? Idéia - O papel da Psicologia na escola deve ser diversificado. Diálogo entre prática e teoria – Estudos realizados por Miguel Mahfoud (1999) e Márcia Alves Tassinari (1999). Introdução Fundamentação Abordagem Centrada na Pessoa – Desenvolvida por Carl Ransom Rogers e seu colaboradores a partir de 1940. O Plantão Psicológico é uma modalidade do Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa. Definição Serviço que objetiva a promoção da saúde, por facilitar uma maior compreensão da pessoa e da situação que ela apresenta de imediato, ou seja, no aqui e agora (TASSINARI, 1999). Introdução Plantão Psicológico na Escola Espaço onde o aluno possa buscar auxílio para rever, repensar e refletir suas questões pessoais de forma espontânea. Privilegia o aluno como pessoa, em vez de reduzi-lo a um indivíduo que somente vai à escola para estudar. Suporte à Psicologia Escolar – Trabalho complementar para o desenvolvimento das camadas inseridas no contexto escolar. Objetivos Objetivo Geral Analisar a contribuição que o Plantão Psicológico na escola pode oferecer aos alunos. Objetivos Objetivos Específicos Observar se o Plantão Psicológico em uma instituição educacional facilita o processo de crescimento e tendência à atualização dos alunos. Analisar a eficiência do Plantão Psicológico na escola como um espaço de aconselhamento psicológico. Analisar o Plantão Psicológico na escola a partir das noções básicas que regem a Abordagem Centrada na Pessoa. Metodologia Método: Fenomenológico A redução fenomenológica consiste em retornar ao mundo da vida, tal qual aparece antes de qualquer alteração produzida por sistemas filosóficos, teorias científicas ou preconceitos do sujeito; retornar a experiência vivida e sobre ela fazer uma profunda reflexão que permita chegar à essência do conhecimento, ou ao modo como este se constitui no próprio existir humano (FORGHIERI, 2001, p.59). Atingir a essência do próprio conhecimento através da investigação do sentido ou significado da experiência vivida pelos sujeitos em uma determinada situação de sua existência cotidiana. Metodologia Perspectiva fenomenológica Envolvimento existencial do pesquisador – Compreender e investigar a experiência do outro, sem negar sua subjetividade ao acessar a dimensão singular do sujeito. Metodologia Escolha dos sujeitos Alunos de 5ª a 8ª séries (manhã) da E. E. Profº José Antônio Ribeiro Filho localizada no Bairro São Gabriel, BH/MG. Amostra: Quatro entrevistas Coleta de dados Realizada em duas fases. São elas: 1ª)Atendimento no Plantão Psicológico; 2ª)Aplicação de entrevista pós-atendimento. Metodologia Análise de dados Categorias de Análise: Procura – Informações relacionadas ao Plantão Psicológico na escola. “Um lugar para falar de coisas que não poderia falar com os pais, amigos ou professores”. Ajuda – Sentimentos experienciados pelo sujeito e expectativas em relação ao atendimento. “Estou me sentindo aliviado, me sentindo muito bem”. Encontro – Opiniões e valores acerca do Plantão Psicológico na escola. “Um espaço para desabafar, um lugar de ajuda”. Resultados “O que eu encontrei?” Contribuição: Ajuda na compreensão das questões apresentadas pelos alunos e, consequente, auto-expressão que leva ao amadurecimento dos mesmos. Dificuldade inicial: Expressão dos sentimentos experienciados antes de procurar o plantão. Facilidade: Expressão das necessidades – Ajuda/Lugar para desabafar. Resultados “O que eu encontrei?” Ocorrência de expressão dos sentimentos experienciados no plantão ao longo dos atendimentos e das entrevistas pós-atendimento – Auto-desenvolvimento. Vivência das noções básicas (consideração positiva incondicional, compreensão empática, congruência, tendência atualizante e liberdade experiencial) que regem o Plantão Psicológico fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa. Eficácia do Plantão Psicológico: Outra possibilidade de atuação do psicólogo no âmbito escolar (Aconselhamento Psicológico). Considerações Finais Premissas básicas O Plantão Psicológico somente acontece se o sujeito procura por ele. O sujeito procura pelo plantão orientado pela procura de si mesmo. Ajudar as pessoas que procuram auxílio psicológico a desenvolver capacidades de ampliar o controle sobre si e aperfeiçoar seu bem estar. “O plantão pode contribuir em muitas coisas, pode ajudar, dar tranquilidade para fazer as coisas certas”. Referências Bibliográficas AMATUZZI, Mauro Martins. O que é ouvir. Estudos de Psicologia, n. 2, Agosto/Dezembro/1990, PUCCAMP. CUNHA, Beatriz Belluzzo Brando et al. Psicologia na escola: um pouco de história e algumas histórias. São Paulo: Arte & Ciência, 1997. FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia Fenomenológica: fundamentos, método e pesquisas. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. GOMES, William B. (Org.). Fenomenologia e pesquisa em psicologia. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1998. JORDÃO, Marina Pacheco. Reflexões de um terapeuta sobre as atitudes básicas na relação terapeuta-cliente. In: ROSENBERG, Rachel Lea (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987. Referências Bibliográficas MAHFOUD, Miguel. A vivência de um desafio: plantão psicológico. In: ROSENBERG, Rachel Lea (org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987. MAHFOUD, Miguel (Org.). Plantão psicológico: novos horizontes. São Paulo: Companhia Ilimitada, 1999. MARÇOLLA, Bernardo Andrade. Introdução à pesquisa fenomenológica: uma experiência de estágio em psicologia. Cadernos de Psicologia. Belo Horizonte, v. 6, n. 9, p. 33-38, dez. 1999. MASINI, Elcie Fortes Salzano. Ação da psicologia na escola. 1978. MIRANDA, Clara Feldman de; MIRANDA, Márcio Lúcio de. Construindo a relação de ajuda. 13 ed. Belo Horizonte: Crescer, 2002. Referências Bibliográficas MORATO, Henriette Tognetti Penha. (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999. POKLADEK, Danuta D. Atitude fenomenológica do psicólogo escolar: relato do seu cotidiano. In: CASTRO, Dagmar Silva Pinto de. Fenomenologia e análise do existir. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2000. ROGERS, Carl R. Terapia centrada no paciente. São Paulo: Martins Fontes, 1951. ROGERS, Carl R.; ROSENBERG, Rachel Lea. A pessoa como centro. São Paulo: EPU, 1977. ROGERS, Carl R.; KINGET, G. M. Psicoterapia e relações humanas. Minas Gerais: Interlivros, 1977. Referências Bibliográficas ROGERS, Carl R.; STEVENS, Barry. De pessoa para pessoa. São Paulo: Editora Pioneira, 1978. ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1985. ROSENBERG, Rachel Lea. Terapia para agora. In: ROGERS, Carl R. & ROSENBERG, Rachel Lea. A pessoa como centro. São Paulo: EPU, 1977. ROSENBERG, Rachel Lea (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987. ROSENTHAL, Raquel Wrona. Plantão de Psicólogos no Instituto Sedes Sapientie: uma proposta de atendimento aberto à comunidade. In: Mahfoud, Miguel. Plantão Psicológico: novos horizontes. São Paulo: Companhia Ilimitada, 1999. Referências Bibliográficas TASSINARI, Márcia Alves. Plantão psicológico centrado na pessoa como promoção da saúde no contexto escolar. 1999.149p. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Psicologia, Rio de Janeiro. YAZLLE, Elizabeth Gelli. Atuação do psicólogo escolar: alguns dados históricos. In: CUNHA, Beatriz Belluzzo Brando. Psicologia na escola: um pouco de história e algumas histórias. São Paulo: Arte & Ciência, 1997. |
| Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa - Canela RS - 9 a 15/10/2005 |
PAPAE: A HISTÓRIA DO PLANTÃO PSICOLÓGICO DA APAE DE MONTES CLAROS-MG.
Juliano Fonseca
Oliveira
RESUMO
Este trabalho
apresenta o processo de construção, implantação e funcionamento do PAPAE,
Plantão Psicológico da APAE de Montes Claros-MG. Trata-se de uma vivência
profissional construída a partir de março de 2011 com o objetivo de dinamizar,
estruturar e adequar às necessidades da clientela aos atendimentos clínicos do
serviço de psicologia. A partir da necessidade de oferecermos atendimentos de
curta duração, psicoterapia breve, com tempo de intervenção determinado, com
foco específico e de acolhimento do paciente no exato momento de sua necessidade,
criou-se o PAPAE.
ABSTRACT
This paper presents the process of
construction, deployment and operation of the Pope, psychological duty of APAE
Montes Claros-MG. It is a professional experience built from March 2011 in
order to streamline, structure and fit the needs of the customer care clinical
psychology service.
Palavras-Chave: Plantão
Psicológico, Psicoterapia Breve.
INTRODUÇÃO
A
Psicologia é uma ciência que estuda o comportamento humano sua principal
finalidade é proporcionar ao homem compreensão e uma melhor relação consigo,
com o outro e com o meio. Com este propósito de entender as relações conscientes
ou não que são manifestas entre as pessoas a psicologia com sua diversidade
teórica e utilizando a escuta como ferramental fundamental de suas práticas,
construiu várias estratégias de investigação da subjetividade, ou seja,
modalidades de atendimento que acolhe o sujeito de acordo com sua necessidade,
com suas questões, angústias e dificuldades.
A escuta, enquanto
postura básica é saber ouvir o outro, estar preparado e disponível para receber
a vivência que estiver trazendo, tomando-a em sua complexidade original, em
seus múltiplos horizontes, de maneira tal a facilitar que a pessoa examine com
cuidado as diversas facetas de sua experiência. (MAHFOUD apud PAPARELLI;
NOGUEIRA-MARTINS, 2007).
Com a proposta de construir
novos métodos clínicos que respondessem à demanda da comunidade, demanda esta
que muitas vezes exige urgência, criou-se o Plantão Psicológico que teve origem
e iniciou suas atividades no SAP-IPUSP (Serviço de Aconselhamento Psicológico
do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), no final da década de
60. (ROSENBERG apud PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007).
As primeiras atividades do
Serviço de Aconselhamento psicológico (SAP) realizadas pelo IPUSP surgiram como
proposta de aprendizagem acadêmica. Segundo Morato (1999, p. 30) “O SAP
originou-se a partir da necessidade de um espaço e lugar para oferecer
oportunidade de estágio para os alunos de graduação do curso de Psicologia do
IPUSP nas disciplinas de aconselhamento psicológico.”.
O SAP sendo este espaço de
práticas acadêmicas supervisionadas que atendem a população conforme sua
necessidade destacou-se no desenvolvimento de três modalidades de atendimento
que se tornaram fundamentais para a formação do psicólogo: a Supervisão de
Apoio Psicológico, as Oficinas de Criatividade e o Plantão Psicológico.
(MORATO, 1999).
O Plantão Psicológico é uma
modalidade de atendimento realizado pelo Psicólogo que acolhe o sujeito no
exato momento de sua necessidade, ficando a critério do cliente o interesse
pela sequência ou não dos encontros, pelas questões a serem abordadas e pelos
horários dos atendimentos, de acordo com o que é sistematizado pela instituição
que oferece o serviço. Ficando por obrigação da instituição a organização e
divulgação do trabalho, disponibilização dos recursos adequados para o bom
andamento dos atendimentos, contatos e parcerias com outras instituições,
organizações e até mesmo, órgãos de saúde e educação. (MORATO, 1999, p. 34).
Schmidt (2004) afirma
que o Plantão Psicológico busca acolher e responder a demandas por ajuda
psicológica, colocando à disposição da clientela que procura o serviço um tempo
e um espaço de escuta abertos à diversidade e à pluralidade das demandas e
usuários do Plantão.
É necessário, contudo, clarificar os
significados que acolher e responder assumem no Plantão Psicológico. Acolher
refere-se, nesse caso, a uma peculiar atenção para a experiência do cliente no
momento em que procura ajuda, que inclui não apenas o que convencionalmente se
entende por queixa, mas o modo como o cliente vive essa queixa, os recursos
subjetivos e do entorno sociopsicológico de que dispõe para cuidar de seu
sofrimento, bem como as expectativas e perspectivas que se apresentam a partir
da busca de auxílio. (SCHMIDT, 2004, p. 173).
REFERENCIAL TEÓRICO
O trabalho do
psicólogo no plantão, também chamado nesta modalidade de atendimento, de
“conselheiro-psicólogo”, é o de facilitador do processo, proporcionando ao
cliente outro olhar diante das questões trazidas e vivenciadas, possibilitando
a este, através de sua interação com o conselheiro-psicológico, alternativas e
possibilidades para enfrentar dificuldades e angustias. (MORATO, 1999, p. 34).
Os
objetivos do serviço de plantão psicológico segundo Mahfoud (1987) são:
·
Acolher a demanda do indivíduo que sofre, a
partir da utilização de métodos e técnicas de tempo limitado, em conformidade
com a abordagem teórica, tendo como alvo o indivíduo com problemas e o não
problemático;
·
Desenvolver o trabalho pela compreensão da
maneira como o problema atual afeta a vida do individuo, buscando elementos que
forneçam uma nova perspectiva de entendimento e ampliem as alternativas desse
indivíduo para lidar com suas próprias questões.
A história do Plantão
Psicológico foi construída a partir de uma relação com a teoria centrada na
pessoa de Rogers. Segundo Mahfoud (1987) citado por Paparelli e
Nogueira-Martins (2007, p. 66) “Os trabalhos publicados que referenciam o
desenvolvimento da atividade em plantão psicológico são, via de regra,
realizados na abordagem centrada no cliente. Contudo, é um tipo de atividade
que pode também ser promovido em outras abordagens.”. Paparelli e
Nogueira-Martins afirmam ainda que independente da abordagem seguida pelo
conselheiro-psicólogo, o trabalho no plantão exige deste um posicionamento pessoal,
ético, político, social e Profissional que favoreça a relação com o cliente,
condição esta, de postura imediata, que o psicólogo encontrará não apenas no
trabalho de Plantão Psicológico, mas em boa parte de suas atuações
profissionais.
O atendimento no serviço de
Plantão Psicológico ocorre em três fases: Primeira Sessão, Acompanhamento e
Desfecho. A Primeira Sessão caracteriza-se por acolher o cliente com sua demanda,
e todos os elementos que este traz, através de uma entrevista inicial. A
segunda fase, Acompanhamento, acontece através de intervenções com tempo
limitado realizadas em um limite máximo de dez sessões. A terceira fase,
Desfecho, momento de encerramento do processo terapêutico que pode resultar em
seu término ou encaminhamento. Nem todos os que procuram o plantão atingem as
três fases devido o serviço ter suas especificidades e limitações, fazendo-se
necessário o atendimento em outras modalidades, entretanto, qualquer
solicitante é atendido, orientado, esclarecido sobre melhores possibilidades de
ajuda bem como intervenções familiares, institucionais e encaminhamento.
(PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007, p. 67).
O primeiro contato do cliente
com o SAP é o Plantão, Segundo Morato (1999, p. 100) “O Plantão Psicológico é a
porta de entrada do SAP para todas as pessoas que buscam algum tipo de ajuda
psicológica junto a esse serviço. Está estruturado para que o cliente seja
acolhido por um espaço de escuta qualificada, no momento mesmo em que procura
auxílio.”.
As pessoas que procuram o
auxílio do plantão são motivadas através de suas crises a buscarem ajuda em
alguém que os acolha, que os escute, que estejam ali de prontidão para
recebê-los no momento de maior angústia, o momento da dor. (JASMIM apud
PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007).
O primeiro acolhimento do
cliente realizado no Plantão Psicológico exige do conselheiro psicólogo a
elaboração de uma entrevista psicológica que será realizada no intuito de
atender as necessidades da instituição que oferece o serviço visando à
possibilidade de solucionar questões burocráticas. (MORATO, 1999).
A entrevista não é
pensada como triagem, na qual se avalia a adequação da clientela aos
dispositivos de prestação de serviço da instituição, mas como espaço propício à
elaboração da experiência do cliente no que diz respeito ao sofrimento psíquico
que ele porta e às possibilidades ou vislumbres de ajuda que ele concede.
Assim, a entrevista de plantão visa facilitar que o cliente clarifique a
natureza de seu sofrimento e de sua demanda por ajuda. O tipo de elaboração e o
grau de elaboração que são alçados nesta primeira entrevista são o critério
norteador dos desdobramentos possíveis deste encontro inicial. (MORATO, 1999,
p. 100).
Segundo
Morato (1999) o serviço de Plantão Psicológico que iniciou suas atividades no
SAP-IPUSP dentro da clínica escola com uma proposta de prática de estágio,
expandiu sua atuação para outras instituições no intuito de responder as
demandas apresentadas pelo público, uma delas foi à escola.
O serviço de Plantão
Psicológico quando entra no ambiente escolar consegue acolher o aluno em um
contexto que oferece pouca ou nenhuma escuta no que diz respeito à complexidade
de experiências vivenciadas por este cliente que muitas vezes não dá conta de
lidar com a situação. Segundo Mahfoud (1987) citado por Paparelli e
Nogueira-Martins (2007, p. 104) “O Plantão, quando aplicado em contexto de
escolas contribui para um processo de formação humana que considere o aluno
como pessoa, com toda sua complexidade de experiências que o acompanham no momento
de sua presença na escola.”.
Com a proposta de acolher o
aluno valorizando sua experiência, aquilo que ele traz consigo e acolhendo-o
como pessoa o Plantão Psicológico para alcançar seus objetivos dentro desta
instituição necessita de ter seu serviço reconhecido pela comunidade escolar,
sendo assim de fundamental importância sua divulgação junto aos professores,
funcionários e alunos. (MAHFOUD 1987 apud PAPARELLI-MARTINS, 2007.).
Seguindo a mesma proposta de
realização do Plantão Psicológico nas clínicas escolas, faz-se necessário o
mesmo cuidado no que diz respeito à prática deste serviço no contexto escolar.
É necessário que a instituição que se propõe desenvolver este trabalho
disponibilize um espaço adequado para o desenvolvimento das atividades, também
é importante a sistematização do serviço, ou seja, associar à prática do
plantão a instituição escolar, construindo toda uma estrutura adequada em
parceria com o conselheiro-psicólogo para o bom desenvolvimento das atividades.
(MORATO, 1999.).
A IMPLANTAÇÃO, FUNCIONAMENTO E DINÂMICA DE
ATENDIMENTO DO PAPAE
O
PAPAE foi implantado ao serviço de psicologia de APAE de Montes Claros-MG, com
a finalidade de adequarmos os atendimentos psicológicos as necessidades de
nossa clientela, como evidencia Schmidt (2004, p. 173) em relação ao Plantão
Psicológico, esse busca “responder à pluralidade e à diversidade de demandas
por ajuda psicológica advindas da clientela”. Ao analisar os prontuários dos
usuários dos atendimentos clínicos do serviço de psicologia pode-se perceber o
auto índice de interrupções e ausências desses nos atendimentos, o que
fragilizava o processo terapêutico. Com isso, fez-se necessário a oferta de um
tipo de serviço de curta duração, com demandas específicas e que atendesse o
paciente no exato momento de sua necessidade. Por isso, a partir das
experiências de Mahfoud, autor e pesquisador referência nessa modalidade de
atendimento estruturou-se e implantou-se o serviço de Plantão Psicológico,
denominado de PAPAE, na APAE de Montes Claros-MG.
Os
atendimentos do PAPAE iniciaram primeiramente com os alunos e familiares, em
seguida, devido à necessidade de nossa instituição em assistir seus
funcionários com o serviço de psicologia, a esses, também, foi ofertado o PAPAE
no intuito de proporcionar atendimento psicológico àqueles que oferecem o
serviço e cuidam dos alunos e seus familiares.
A
realização do PAPAE aconteceu de Março a Junho de 2011, as segundas-feiras, no
horário de 07:00 as 11:00 e 13:00 as 17:00 h, em Julho, período de férias escolares,
realizamos uma parceria com o Município onde atendemos usuários do SUS de
Montes Claros-MG, esses, encaminhados pelas UBS (Unidade Básica de Saúde),
Postos de Saúde e ESF (Estratégia Saúde da Família) da rede de atenção à saúde,
sendo que nesse período os atendimentos aconteceram de segunda à quarta-feira
no período de 07:00 as 11:00 e 13:00 as 17:00 h.
O
serviço de Plantão Psicológico foi divulgado a clientela, seu funcionamento,
finalidade, local, dias e horários. Os atendimentos aconteciam no consultório
de psicologia. A dinâmica dos atendimentos aconteciam a partir
RESULTADOS DO PAPAE
O
PAPAE possibilitou o atendimento de uma maior quantidade de usuários, dentre
eles, alunos, pais, mães, demais familiares, aos funcionários da APAE de Montes
Claros-MG, também, usuários de SUS (Sistema Único de Saúde) de Montes
Claros-MG, já que somos uma UPS (Unidade Prestadora de Serviço à Saúde) da
Pessoa com Deficiência. Lembrando que o atendimento aos usuários do SUS
concentrou-se no período de férias escolares de Julho, onde a demanda de
atendimentos é reduzida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As
diversas situações problemas que nos deparamos em nosso cotidiano exigem-nos um
novo olhar em relação aos conflitos e novas estratégias de intervenção
psicoterápica, dentre essas, as psicoterapias breves surgem como uma modalidade
de atendimento cujo objetivo é proporcionar ao sujeito um novo olhar e
posicionamento diante dos conflitos, problemas e sofrimentos.
REFERÊNCIAS
MAHFOUD, Miguel. Plantão Psicológico: novos horizontes.
São Paulo: Editora C.I. , 1999.
MORATO, Henriette Tognetti Penha (Org.). Aconselhamento Psicológico Centrado na
Pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.
PAPARELLI, Rosélia Bezerra; NOGUEIRA-MARTINS, Maria Cezira
Fantini. Psicologia Ciência e Profissão.
Psicólogos em Formação: Vivências e demandas em Plantão Psicológicos.
São Paulo. Psicologia Ciência e Profissão, 2007, p. 64-79.
ROGERS, Carl R. Um Jeito de Ser. São Paulo: EPU, 1983.
SCHMIDT, Maria Luisa Sandoval. Plantão psicológico,
universidade pública e política de saúde mental. Estud. psicol. Campinas. 2004, vol.21, n.3, pp. 173-192.
Plantão Psicológico na Escola
Olá Turma.
Quem esta interessado em Plantão Psicológico na escola. Vamos nos aprofundar. Leiam estes textos.
Quem esta interessado em Plantão Psicológico na escola. Vamos nos aprofundar. Leiam estes textos.
TRÊS EXPERIÊNCIAS EM PLANTÃO PSICOLÓGICO
MORATO, H. T. P. (coord.) Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa: novos desafios. SP: Casa do Psicólogo, 1999. Cap. 8: “Plantão psicológico na escola: uma experiência”,pp. 145-160 MORATO, H. T. P. (coord.) Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa: novos desafios. SP: Casa do Psicólogo, 1999. Cap. 9: “Plantão psicológico em hospital psiquiátrico”,pp.161-176; ROSENTHAL, RAQUEL W. Plantão de Psicólogos no Instituto Sedes Sapientiae: umaproposta de atendimento aberto à comunidade. IN: Mahfoud, Miguel (org.). Plantão Psicológico: novos horizontes. São Paulo: Editora Companhia Ilimitada, 1999. Pg. 15-28.
1. As experiências
A) Raquel W. Rosenthal relata sua experiência de implantação do Plantão Psicológico no Instituto SEDES SAPIENTIAE, em 1980. A implantação do serviço foi desenvolvida pelo Centro de Desenvolvimento da Pessoa, como um curso de Expansão Cultural, de duração semestral. Segundo a autora, o primeiro passo foi a decisão pela implantação do serviço, fundamentado nas idéias de Raquel Lea Rosenberg. Seguiu-se a seleção dos psicólogos plantonistas, cuidando-se para que fossem “especialmente sensibilizados pela natureza do serviço proposto” (pg. 17). Organizou-se o Plantão em duas noites, das 20 às 22 horas, e duas equipes, que se alternavam no Plantão e na Supervisão. A supervisão ficava também disponível para as necessidades dos plantonistas, no próprio momento do atendimento.
Por parte da instituição, havia uma preocupação de que a nova modalidade de atendimento gerasse maiores filas de espera, todavia, havia especial abertura para a proposta. Era parte da proposta um atendimento diferente da triagem, um atendimento cuja finalidade fosse o próprio encontro, no momento presente, o que resolvia a preocupação quanto a filas de espera.
Para a divulgação do serviço, imprimiram-se cartazes:
Somos um grupo de psicólogos prontos para ouvir, trocar idéias, esclarecer dúvidas. Enfim, estar com você no momento em que sentir que um psicólogo pode ajudar.
Foram feitas também divulgações na imprensa televisiva e impressa.
A experiência inicial durou três semestres, com 117 casos novos e 28 retornos. Das 117 pessoas ouvidas, 52% eram mulheres. As profissões eram variadas. Dos 68 depoimentos deixados, vários abordaram a importância daquele momento de escuta.
Os plantonistas vivenciaram algumas dificuldades: a sua ansiedade, a preocupação com o desligamento dos clientes, o que gerou grande número de encaminhamentos e intervenções mais diretivas. Os psicólogos também traziam a convicção de que, para ser eficiente, a intervenção deveria prolongar-se, a priori. O contato com clientes de menor poder aquisitivo gerou outras tantas questões, entre as quais a dúvida sobre a capacidade do próprio cliente resolver suas necessidades.
B) Miguel Mahfoud relata a experiência de implantação do Plantão Psicológico em uma escola, na década de 1990. Na escola envolvida, Miguel exercia a função de psicólogo, enquanto outros profissionais exerciam a orientação educacional, a coordenação pedagógica e disciplinar. Ele optou pelo Plantão Psicológico na escola, como forma de estruturar a sua atuação, considerando que o primeiro objetivo da educação é a formação da pessoa humana, e que esta seria uma forma privilegiada de constituir sua presença na escola. Para isso, preparou panfletos na forma de uma música (para o colegial / Ensino Médio) e em forma de historinha (para o nível ginasial / Ensino Fundamental Ciclo II), nos quais buscava questionar os alunos sobre a possibilidade de terem na escola um espaço de reflexão pessoal, acompanhados pelo psicólogo. Nos panfletos, descaracterizava a busca do psicólogo como uma iniciativa vinculada à existência de “problemas”, caracterizando-a, antes, como uma possibilidade de crescimento e uma decisão consciente pelo desenvolvimento pessoal. Observou-se uma significativa adesão dos alunos, que se mostrou mais positiva à medida que a experiência pessoal confirmava o plantão psicológico como “um espaço para as pessoas, mais do que para os problemas” (pg. 147). Os alunos se mostravam disponíveis, de uma forma diferente do habitual, pois sabiam que, mesmo quando comportamentos e notas eram discutidos, o essencial era a sua pessoa e a sua resposta à situação, tal como ele decidisse configurar. Foi necessário um cuidado especial com os professores e a instituição, pois os professores a princípio perceberam o Plantão negativamente, como um espaço aliado dos alunos e contrário aos docentes. Para Miguel, foi uma rica experiência, como educador e psicólogo, uma possibilidade de realmente voltar-se para a pessoa humana, como centro de sua atuação profissional. C) Walter Cautella Jr. relata a experiência de implantação do Plantão Psicológico no Hospital Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo, uma instituição hospitalar psiquiátrica religiosa, caracterizada por internações breves e uma ideologia humanista. Segundo Walter, o hospital abriga pacientes psiquiátricos e drogadictos em fase aguda ou sub-aguda de seu quadro clínico, momento em que apresentam riscos para si e para os outros, justificando a necessidade de sua internação. O hospital tem como trabalho principal a atuação médica psiquiátrica, que é responsável pelo diagnóstico e determinação do tratamento para os pacientes. Essa equipe médica participa de uma equipe multi-profissional, formada por assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psicólogos e uma nutricionista. A atuação psicológica é mais voltada à fase sub-aguda da internação, quando o paciente já apresenta melhora em seu estado e maior capacidade de relacionamento e elaboração. Na fase aguda, quer pelos sintomas do próprio quadro que o distanciam da realidade e da possibilidade de reflexão ou vinculação, quer pelo impacto da medicação que diminui a capacidade de elaboração, o trabalho psicológico é menos acentuado. No hospital, à época em que Walter implantou o Plantão Psicológico, o trabalho dos psicólogos se voltava para psicoterapia de grupo e psicoterapia individual. Todavia, analisava-se que a motivação dos pacientes era mais voltada ao desejo de obtenção de alta, do que de fato a uma busca pessoal por psicoterapia. Diante disso, optou-se pela implantação do Plantão Psicológico, como possibilidade paralela às psicoterapias individuais e grupais. Walter entendeu que, no Plantão, rompia-se com as dificuldades observadas, uma vez que em primeiro lugar, era o paciente quem decidia se queria comparecer ao Plantão. Por outro lado, uma vez que o terapeuta plantonista não estabelece um foco e não se preocupa com os sintomas, mas com a pessoa do paciente, criava-se aí uma possibilidade inédita de encontro do paciente psiquiátrico consigo mesmo.
2. Aspectos conceituais dos relatos
“Muitas pessoas, em determinada circunstância de suas vidas, poderiam se beneficiar ao encontrar uma interlocução diferenciada, que lhes propiciasse uma oportunidade também de escutar a si mesmos, identificando e reconhecendo seus próprios sentimentos e possibilidades de auto direção, no momento em que enfrentam a dificuldade, sem que necessariamente tenham que se submeter a atendimento sistemático, prolongado, como tradicionalmente oferecerem as psicoterapias.” (pg 16-17)
“Se atendermos à complexidade da vida humana com olhar justo, temos que reconhecer que,numa hora ou menos, é altamente improvável que possamos reorganizar a estrutura de vida de um indivíduo. Se pudermos reconhecer este limite e nos abstivermos de desempenhar o papel de Deus, poderemos oferecer um tipo muito precioso de ajuda, de esclarecimento, mesmo num curto espaço de tempo. Podemos permitir ao cliente que exprima seus problemas e sentimentos de forma livre, e deixá-lo com o reconhecimento das questões que enfrenta.” (Rogers apud Rosenthal, pg. 16)
“Mesmo no caso de problemas graves ou dificuldades antigas, conclui-se que o princípio de tudo-ou-nada – ou seja, terapia profunda e prolongada ou nenhuma assistência psicoterápica
– não tem real validade. Especialmente em pontos críticos do desenvolvimento ou da vivência, uma intervenção adequada tem, além de efeitos terapêuticos, caráter preventivo de conflitos maiores posteriores” (Rosenberg apud Rosenthal, pg. 18-19).
“... nossa proposta não era criar um serviço para emergências psiquiátricas e sim oferecerescuta imediata, recebendo a pessoa no momento da dificuldade, sem que necessariamente a intensidade dessa dificuldade tivesse atingido um ponto crítico que representasse ameaça iminente à sua integridade ou à de outros (...). ” (pg. 19)
“O Plantão Psicológico não foi concebido como uma alternativa ‘tampão’ para acabar com filas de espera em serviços de assistência psicoterapêutica, já que não pretende substituir a psicoterapia. Não acreditamos que uma única sessão seja capaz de resolver sérios problemas emocionais ou promover resultados reconstrutivos da personalidade.” (pg. 19)
“A grande descoberta deste século para as Ciências Humanas é a descoberta terapêutica daescuta. Não há melhor entendimento que alguém possa nos prestar do que servir-nos de ouvido para as falas baixas e quase imperceptíveis da nossa existência”. (Bonder apud Rosenthal, pg. 27)
“Ouvir pode sugerir uma atitude passiva, mas não é. Ouvir implica acompanhar, estar atento, estar presente. Presença inteira.” (pg. 27) “Isso fez com que mesmo quando precisávamos chamar alguém para conversar por pedidos da coordenação pedagógica ou disciplinar, ou por pedido de algum professor, a disponibilidade de tratar dos problemas fosse já diferente, porque o interesse era por ele, e não por suas notas ou comportamentos. Então, até suas notas e comportamentos eram discutidos; suas queixas intermináveis, ouvidas; mas sua pessoa continuava a ser o centro, e a resposta à situação assim como é ainda cabe a ele, que poderia agora ter alguém a quem se referir, com quem se avaliar, em quem se apoiar.” (pg. 148)
“A consciência ampla do educador, ali frente ao aluno, traduz-se também em disponibilidade ecumplicidade, para que o aluno viva com realismo e cuidado consigo mesmo.” (pg. 148)
“O primeiro conceito define a doença mental como uma ‘patologia da liberdade’ (Sonenreich,C. e Bassit, W., 1979). (...) Neste conceito, a palavra ‘liberdade’ refere-se à capacidade de o indivíduo optar, ou seja, de criar normas para se gerenciar. O doente mental seria aquele indivíduo que perdeu a capacidade de optar e passa a viver regido pelas normas ditadas pela sua patologia.” (pg. 164)
“O segundo conceito vem para complementar e aprofundar o que foi acima citado. SegundoAlfredo Moffatt (1983), a patologia seria uma desorganização da temporalidade e, consequentemente, da identidade. (...) Para ele, a consciência é um processo pontual que ocorre de momento a momento, e o homem através de um longo processo evolutivo conseguiu desenvolver uma construção imaginária que lhe assegura a continuidade de seu psiquismo (tempo) e, consequentemente, de sua identidade. Desta forma, o que nos difere dos animais é que esse só possui um presente imediato, enquanto que o homem, através dessa trama, possui o presente, sabe de seu passado e pode inferir sobre seu futuro. Essa continuidade no processo de consciência permite que o indivíduo crie sua identidade. O ponto central dessa teoria define que a doença mental é a destruição dessa trama de sustentação da continuidade do EU. Consequentemente, a pessoa se fragmenta e dissolve a sua vivência de existir (crise). Ela descobre que o tempo não existe e cai em um vazio paralisante e insuportável. Para superar essa situação, o indivíduo tenta construir uma nova trama de continuidade, que nada mais é que uma restituição neurótica ou psicótica. Essa trama não é compartilhada por todos. O sujeito cria um novo EU isolado e alheio à cultura geral.” Pg. 165
“Quanto ao plantonista, esse deve estar preparado para uma situação terapêutica muitodiferente das abordagens tradicionais. O profissional deve estar ciente e disposto a se defrontar com o não planejado (...).” pg. 167
“Tanto o cliente como o profissional devem saber da possibilidade de esse encontro ser único. A percepção da limitação temporal vai gerar uma modificação interna nos participantes do encontro. Possibilitará ao plantonista uma maior sensibilidade frente às questões do cliente, e esse, por sua vez, tentará reorganizar sua demanda de maneira a hierarquizar e priorizar aquilo que é mais importante para si naquele momento.” (pg. 167)
“ O plantonista (...) deve se propor a responder à demanda do cliente naquele momento. Essa proposta, aparentemente impossível, torna-se viável quando o profissional coloca-se à disposição para acolher a experiência do cliente e não apenas seus sintomas.” (pg. 167) “O que se deseja é que o cliente perceba-se inserido no mundo e passe a compreender suas questões e sintomas não mais dissociados do geral, e, sim, como parte integrante desse todo.” (pg. 168)
“Quando o plantão psicológico propicia ao cliente uma visão mais clara e abrangente de si de de suas perspectivas frente à problemática, ele está promovendo saúde, como a compreendemos. Quando o indivíduo se questiona e se posiciona frente a seus conflitos, ele está fazendo opções e percebendo sua existência inserido em um contexto históricosociocultural. Nesse momento, há um resgate da capacidade de optar e da própria identidade do sujeito. Mesmo que esse resgate seja momentâneo – como muitas vezes acontece – e o indivíduo mergulhe na estagnação e nulidade patológica em seguida, esses núcleos devem ser valorizados, pois falam de um potencial de saúde.” (pg. 168)
“A experiência desenvolvida pelo psicoterapeuta de aceitar incondicionalmente a experiênciado cliente permite que se estruture um campo onde este pode entrar em contato com os fatores que vêm causando desorganização na sua relação com o mundo e, a partir daí, tentar uma organização mais eficiente.” (pg. 168)
“O plantonista não deve estar atento apenas às queixas psicológicas do cliente, mas sim, nomodo como a situação conflitiva interfere nas várias esferas da vida da pessoa. Acolher a experiência global do cliente, e não orientar os rumos do encontro pela sua especialidade, coloca o plantonista em uma posição privilegiada (...).” pg. 171
Olá Turma .
Coloco nesta postagem alguns endereços para que esta estudando e trabalhando com
Bullying. É de fundamental importância conhecer tudo que for possível sobre o tema. Ok
http://www.portalbullying.com.pt/
O Conselho Nacional da Justiça lança uma cartilha contra o Bullying, acesse e conheça:
http://www.cnj.jus.br/images/programas/justica-escolas/cartilha_bullying.pdf
POrtal Bullying não é brincadeira. muito legal
http://bullyingnaoebrincadeira.com.br/about/
SE QUISEREM MAIS DICAS ENTREM EM CONTATO.
BEIJO
Coloco nesta postagem alguns endereços para que esta estudando e trabalhando com
Bullying. É de fundamental importância conhecer tudo que for possível sobre o tema. Ok
http://www.portalbullying.com.pt/
O Conselho Nacional da Justiça lança uma cartilha contra o Bullying, acesse e conheça:
http://www.cnj.jus.br/images/programas/justica-escolas/cartilha_bullying.pdf
POrtal Bullying não é brincadeira. muito legal
http://bullyingnaoebrincadeira.com.br/about/
SE QUISEREM MAIS DICAS ENTREM EM CONTATO.
BEIJO
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