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domingo, 11 de agosto de 2013

O que é a Psicologia Escolar e da Educação.

Olá Galera
                  Para que possamos iniciar nosso curso de maneira madura e com conhecimento adequado da área, vamos ler esse texto e leva-lo para discussão em sala de aula.
                   Reflita sobre o papel do psicologo escolar na atualidade, seu interesse sobre esta área de atuação e quais as possibilidades de uma atuação mais ampla nos dias de hoje.

Psicologia: ciência e profissão.

versão impressa ISSN 1414-9893
Psicol. cienc. prof. v.4 n.1 Brasília  1984


O papel do psicólogo escolar


  Carmem Silvia de Arruda Andalo.

 Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina.


A Psicologia Escolar vem sendo considerada até agora como uma área secundária da Psicologia, vista como relativamente simples, não requerendo muito preparo, nem experiência profissional. Dentro da instituição-escola é pouco valorizada, até mesmo dispensável, haja vista a inexistência de serviços dessa natureza, enquanto os de Orientação educacional e Supervisão escolar são previstos e regulamentados por lei.


Essa perspectiva, que nos parece bastante equivocada e inadequada, talvez provenha do fato de que, historicamente, a área escolar tenha-se caracterizado como um desmembramento da área clínica, o que gerou a visão de uma Psicologia Escolar clínica.


Uma outra abordagem seria a da ação preventiva da Psicologia Escolar. Prevenir significa "antecipar-se a", "evitar", "livrar-se de", "impedir que algo suceda". No contexto da escola o que se pretenderia evitar ou impedir? A existência de problemas, de dificuldades ou fracassos?
A conotação por vezes encontrada, entretanto, parece ser a de evitar desajustes ou desadaptações do aluno. Maria helena novaes, ao defender a importância da formação adequada do psicólogo escolar e sua responsabilidade profissional, afirma que "dado o caráter sobretudo preventivo da atuação do psicólogo escolar, essa orientação (psicológica) merece tanto ou mais cuidado do que qualquer outra, pois tem como meta principal o ajustamento do indivíduo" (1-pg.24). Caberia aqui discutir e esclarecer a natureza de tal ajustamento.
Dada a possibilidade de se interpretar a perspectiva de prevenção como uma questão meramente adaptativa, é que, no presente artigo, procuramos analisar duas abordagens frequentemente encontradas com relação ao papel do psicólogo escolar, e propomos uma terceira alternativa, que é a deste profissional como agente de mudanças.

O psicólogo escolar clínico
Está implícita nessa visão de psicologia escolar uma vinculação com a área de saúde mental, onde os problemas são equacionados em termos de saúde x doença, o que na escola se retraduz como problemas de ajustamento e adaptação. O que nos parece estar subjacente, mas nem sempre claro, nessa perspectiva, é a idéia de que a escola como instituição é tomada como adequada, como cumprindo os objetivos ideais a que se propõe. Permanecem inquestionados, desta forma, o anacronismo dos currículos, dos programas, das técnicas de ensino-aprendizagem empregadas, bem como a adequação da relação professor-aluno estabelecida.
Esta é, portanto, uma visão conservadora e adaptativa, uma vez que os problemas surgidos ficam centrados no aluno, isto é, a responsabilidade dos insucessos e dos fracassos recai sempre sobre o educando. O papel do psicólogo escolar seria então o daquele profissional que tem por função tratar estes alunos-problema e devolvê-los à sala de aula "bem ajustados".
Na medida em que os problemas são equacionados em termos de saúde x doença, fica o papel do psicólogo investido de um caráter onipotente, uma vez que seria o portador de soluções mágicas e prontas para as dificuldades enfrentadas. Por outro lado, acaba por estabelecer uma relação de assimetria, verticalidade e poder dentro da instituição, uma vez que lhe é atribuída a decisão e o julgamento a respeito da adequação ou inadequação das pessoas em geral. São as duas faces de uma mesma moeda — de um lado o mágico, o salvador, e do outro, um elemento altamente persecutório e ameaçador. Essa dupla imagem que o psicólogo adquire ou transmite(?) Em função deste tipo de abordagem ou da sua própria postura, leva, com freqüência, a uma atitude ambivalente e de resistência por parte da instituição escolar, que muitas vezes dificulta ou até impede a continuidade dos serviços de psicologia.
Uma outra conseqüência que nos parece importante denunciar nesta visão clínica, é a de que o professor, ao entregar o seu "aluno difícil" nas mãos de um profissional tido como mais habilitado que ele para lidar com a questão, se exime da sua responsabilidade para com este aluno. Passa então a considerá-lo como um problema que não é seu e que deveria ser solucionado fora do contexto de sala de aula, que é o seu ambiente de trabalho, a saber, no gabinete de psicologia. Na realidade, porém, a criança que apresenta dificuldades, mesmo quando atendida por outros profissionais, enquanto aluna continua sendo problema do professor e da sua turma e como tal deve ser assumida.
É também frequente, no trabalho clínico dentro da escola, o uso de testes variados, desde as tradicionais medidas de qi até provas de personalidade, com elaboração de diagnósticos e orientação bastante minuciosas e aprofundadas. Ocorre, entretanto, que este trabalho todo se torna infrutífero e sem sentido, pois é comum as famílias se recusarem a aceitar a orientação, preferindo atribuir as causas do insucesso escolar à própria instituição, que é então acusada de ineficiente. É evidente que, ao buscar uma orientação psicológica, todo cliente passa por um processo, frequentemente longo e ambivalente, de lidar e aceitar as suas próprias dificuldades ou deficiências. Ora, na medida em que a escola toma a iniciativa de realizar esse processo, através do serviço de psicologia, sem uma conscientização gradativa e espontânea da família a respeito do seu filho-problema, o resultado deverá ser ou um recusa de colaborar até mesmo na fase inicial de diagnóstico, ou uma rejeição clara e aberta da orientação oferecida.
Uma outra dificuldade é a de os dados obtidos através de exames psicológicos nem sempre revertem para a escola sob forma de orientações concretas e acessíveis. Num congresso sobre pré-escolas, realizado em julho de 1983, promovido pela secretaria da educação do estado de são paulo, na cidade de são josé do rio preto, do qual participamos, recebemos veementes queixas de professores de qe, sob o pretexto de sigilo sobre os resultados dos testes psicológicos aplicados em seus alunos, só passíveis de serem manipulados por psicólogos, as escolas ficavam praticamente sem nenhuma informação a respeito dos exames realizados.
Lyons e powers relatam que num estudo longitudinal com crianças de nível primário dispensadas do sistema escolar de uma grande cidade norte-americana por problemas de comportamento, foram avaliadas as contribuições dos psicólogos da seguinte forma: "embora 263 escolas registrassem que o estudo psicológico havia sido de alguma forma útil aos pais e/ou professores, 144 escolas registraram que ele não tinha ajudado. Apenas uma escola deu uma razão para este fato, afirmando que o estudo psicológico era muito limitado."
Um outro impasse comumente enfrentado com relação aos exames psicológicos é o da dificuldade de se encontrar, em nosso meio, instituições que possibilitem a concretização das orientações dadas, de forma economicamente acessível à maioria da nossa população escolar. Desta maneira, o diagnóstico e a orientação realizados perdem a sua utilidade e portanto o seu sentido.
Um outro aspecto a se questionar é a instalação de serviços de atendimento psicológico dentro da instituição-escola, com a intenção de oferecer psicoterapia para os portadores de distúrbios emocionais e de conduta e psicomotricidade para aqueles que apresentassem deficiências de ordem motora. Com relação à primeira hipótese, acreditamos ser totalmente inviável a sua realização dentro do contexto escolar por duas razões fundamentais:
1.  Como tal tipo de tratamento fica ligado, pelo senso comum, à doença mental, corre-se o sério risco de discriminar e estigmatizar aqueles alunos que se beneficiassem desta forma de assistência;
2. Como a escola é uma organização complexa, onde a privacidade é bastante restrita por ser um grupo onde as pessoas convivem por longo tempo, diariamente por várias horas e durante anos, fica muito comprometida a questão de sigilo, não por parte do profissional, evidentemente, mas por parte dos próprios alunos.
Com relação à psicomotricidade, visando atingir principalmente as populações de baixa renda, que não têm acesso a terapêuticas desta natureza, tem-se pensado num trabalho integrado com a área de educação física, no sentido de incluir, nessas aulas, exercícios de equilíbrio, coordenação motora ampla etc. Com relação aos aspectos de motricidade fina, a montagem de pequenos grupos de atendimento paralelo talvez pudesse ser levada a efeito dentro do próprio ambiente da escola.
Num nível mais sofisticado, a abordagem clínica pode transformar-se numa consultoria de saúde mental, com o enfoque básico voltado para a prevenção já mencionada no início deste trabalho. O psicólogo não se restringiria apenas à aplicação de testes e à realização de terapia dentro do contexto escolar, mas pretenderia "difundir a saúde mental, procurando alcançar um maior número possível de pais, administradores e professores, que por sua vez atingem o maior número possível de crianças".

O psicólogo escolar agente de mudanças
Uma outra alternativa que nos parece mais adequada e que não exclui, pelo contrário, se beneficia das contribuições da psicologia clínica e da psicologia acadêmica, seria a do psicólogo escolar como agente de mudanças dentro da instituição-escola, onde funcionaria como um elemento catalizador de reflexões, um conscientizador dos papéis representados pelos vários grupos que compõem a instituição.
Nessa perspectiva precisa-se, ao contrário do que se colocou no início deste texto, de um profissional experimentado, com preparo amplo e diversificado, uma vez que a psicologia escolar é então encarada como uma área de intersecção entre a psicologia clínica e a psicologia organizacional, por trabalhar e lidar com uma instituição social complexa, hierarquizada, resistende à mudança e que reflete a organização social como um todo. Nessa perspectiva é importante considerar o indivíduo sem perder de vista, entretanto, sua inserção no contexto mais amplo da organização.
Um trabalho eficiente nessa linha teria que partir de uma análise da instituição, levando em conta o meio social no qual se encontra e o tipo de clientela que atende, bem como os vários grupos que a compõem, sua hierarquização, suas relações de poder, passando pela análise da filosofia específica que a norteia, e chegando até a política educacional mais ampla.
Em nosso trabalho prático junto às escolas, iniciamos geralmente por um levantamento da instituição onde pretendemos atuar. Procuramos caracterizá-la em seus aspectos organizacionais, tentamos detectar a ideologia subjacente aos objetivos expressos ou implícitos que a instituição contém. Começamos, assim, por um diagnóstico da realidade da escola e, a partir daí, planejamos nossa ação.
Temos procurado atuar junto ao corpo docente e discente, bem como junto à direção e à equipe técnica, tentando conscientizá-los da realidade da sua escola, refletindo com eles sobre os seus objetivos, sobre a concepção que subjaz ao processo educacional empregado, sobre as expectativas que têm de seus alunos, sobre o tipo de relação professor-aluno existente, enfim sobre a organização como um todo.
As queixas básicas comumente encontradas junto à instituição-escola referem-se à dispersividade e desatenção, desinteresse, apatia, agitação, baixo rendimento e fraco nível de aprendizagem, rebeldia e agressividade, bem como dificuldades na relação professor-aluno e entre os próprios educandos. Tais problemas têm aparecido na forma mais ou menos intensa em todos os graus, o que vem caracterizar uma crise aguda e profunda pela qual a instituição vem passando.
A tendência geral da escola é centrar as causas de tais dificuldades nos alunos. As medidas que vêm sendo utilizadas para tentar resolvê-las ou contorná-las resumem-se basicamente em:
1.    Encaminhar os "casos-problema" ao serviço de orientação educacional ou ao serviço de psicologia, como se os profissionais destas áreas tivessem soluções mágicas e prontas para tais casos;
2. Criar mecanismos de controle cada vez mais rígidos e repressivos sobre o comportamento dos educandos através de inspetores de aluno, comunicações aos pais, reduções nas notas, multiplicação das avaliações etc.
Com relação aos serviços de orientação educacional, com exceções evidentemente, temos observado alguns aspectos:
A. Não conseguem dar vazão ao crescente número de casos difíceis encaminhados;
B.   Buscam contatos com os pais, numa tentativa, na maioria das vezes infrutífera, de transferir a resolução dos problemas para o âmbito familiar;
C.  Desenvolvem trabalhos junto ao corpo discente através de aulas tradicionais onde são desenvolvidos temas, com uma conotação quase sempre de caráter moral, discorrendo sobre a necessidade de "comportar-se bem, ser bom aluno, bom filho" etc., numa tentativa de fazer com que os educandos venham a preencher as expectativas que a instituição, especialmente os professores, têm deles.
Em nosso trabalho como psicólogos escolares, nessa perspectiva de agente de mudanças, temo-nos voltado basicamente para a constituição de grupos operativos com alunos, professores e equipe técnica, no sentido de encaminhar uma reflexão crítica sobre a instituição, incluindo o processo de ensino-aprendizagem, a relação professor-aluno, as mudanças sociais que estão ocorrendo, evidenciando com isso, a defasagem cada vez maior que se estabelece entre a escola e a vida. Dessa maneira, procuramos desfocar a atenção sobre o aluno como única fonte de dificuldades, como o único responsável e culpado pela crise geral pela qual a escola passa, propiciando uma visão mais global e mais compreensiva desta crise, procurando considerar todos os seus aspectos e, conjuntamente, encontrar formas alternativas de enfrentá-la.
Parece-nos importante esclarecer que não excluímos nessa abordagem pesquisas voltadas para os processos dos indivíduos, pois de fato encontramos inúmeros casos onde as dificuldades encontradas são do próprio aluno e não da instituição. Tais casos necessitam de um enfoque mais clínico, que, quando se faz necessário, é levado a efeito, sem entretanto, perder-se de vista o aspecto institucional da questão.
Da oportunidade que temos tido de atuar na área de psicologia escolar, esta vem-se configurando como um campo de ação extremamente rico, porém inexplorado, desvalorizado e até mesmo pouco conhecido, não só dentro das escolas, mas também dentro da própria categoria de psicólogos. O papel do psicólogo escolar acha-se portanto, mal delimitado e mal definido, e o que pretendemos aqui, com essas primeiras anotações, é encaminhar e aprofundar a discussão sobre esse tema.

Bibliografia
Novaes, m. H. - psicologia escolar. Petrópolis. Vozes ed. 1980.
Patto, h. S. - introdução à psicologia escolar. São paulo. Queiroz ed. 1981.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

¿Te atreves a soñar?


Ola! Galera.
                   Já falamos um pouco sobre o curso de Psicologia, sobre o estágio que irão realizar, esta na hora de falarmos e refletirmos  um pouco com você sobre você.
                    Gostaria que refletissem um pouco sobre seus sonhos e suas metas. Quais são eles? Como estão sendo conduzidos por cada um de vocês. Pensem reflitam quais os sonhos que deixariam cada um de vocês realizados, felizes satisfeitos com você mesmo. Se possível os escrevam em um papel, ou em seu celular, ou em seu Ipad, mas escrevam. Quando e como desejam alcança-los. Este é um ótimo exercício pessoal.
               Agora  vamos assistir este vídeo e refletir um pouco mais sobre seus  desejos e metas.




  Depois de assistir  vocês devem postar comentários, sobre o que este vídeo representou para você utilizando os recursos que quiserem. Um forte Abraço a todos .

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um livro sobre O brincar!!!

Olá Turma.
               Para quem esta interessado em Estimulação e brincadeiras.
               Que tal a leitura deste livro:
                JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS: A LINGUAGEM
LÚDICA FORMATIVA NA CULTURA DA CRIANÇA.
                 Vocês o encontrarão em
                  http://www.ffllipe.ufms.br/material/fasciculo_Jucimara_Rojas__Jogos,_brinquedos_e_brincadeiras_a_linguagem_ludica_formativa_na_cultura.pdf.

                Boa leitura.

Brincar e

Boa Noite:
                Para os alunos interessados em estimulação de crianças menores.
                Texto:
                 

Rubem Alves: A caixa de brinquedos

Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo

A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho.

Marcelo Zocchio

Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne".

Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso.

Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "Uti" significa o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para obter uma outra coisa. "Frui" significa fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma.

A ordem do "uti" é o lugar do poder. Todos os utensílios, ferramentas, são inventados para aumentar o poder do corpo. A ordem do "frui" é a ordem do amor —coisas que não são utilizadas, que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são para serem usadas, mas para serem gozadas. Aí você me pergunta: quem seria tolo de gastar tempo com coisas que não servem para nada? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta sem tinta...

Faz tempo, preguei uma peça num grupo de cidadãos da terceira idade. Velhos aposentados. "Inúteis" —comecei a minha fala solenemente. "Então os senhores e as senhoras finalmente chegaram à idade em que são totalmente inúteis..." Foi um pandemônio. Ficaram bravos, me interromperam e trataram de apresentar as provas de que ainda eram úteis. Da sua utilidade dependia o sentido de suas vidas.

Minha provocação dera o resultado esperado. Comecei, mansamente, a argumentar. "Então vocês encontram sentido para suas vidas na sua utilidade. Vocês são ferramentas. Não serão jogados no lixo. Vassouras, mesmo velhas, são úteis. Uma música do Tom Jobim é inútil. Não há o que fazer com ela. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que se parecem mais com as vassouras que com a música do Tom... Papel higiênico é muito útil. Não é preciso explicar. Mas um poema da Cecília Meireles é inútil. Não é ferramenta. Não há o que fazer com ele. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que preferem a companhia do papel higiênico à do poema da Cecília..." E assim fui acrescentando exemplos. De repente os seus rostos se modificaram e compreenderam... A vida não se justifica pela utilidade, mas pelo prazer e pela alegria —moradores da ordem da fruição. Por isso Oswald de Andrade, no "Manifesto Antropofágico", repetiu várias vezes: "A alegria é a prova dos nove, a alegria é a prova dos nove...".

E foi precisamente isso o que disse santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência (saúde é uma das coisas que moram na caixa de ferramentas. Saúde é poder. Mas há muitas pessoas que gozam de perfeita saúde física e, a despeito disso, se matam de tédio). As ferramentas não nos dão razões para viver; são chaves para a caixa dos brinquedos.

Santo Agostinho não usou a palavra "brinquedo". Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez ou bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: tudo isso não leva a nada. Essas coisas não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, "play". No alemão, "spielen". Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa.

Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente, não há avaliações de múltipla escolha para medir alegria...

Rubem Alves, 12+7+11+10+30, segundo as metamorfoses por que passei. Acabo de ler o livro mais inteligente e leve sobre como despertar nas crianças e nos jovens o prazer da leitura: "Como um Romance", de Daniel Pennac (Editora ASA, Portugal).
Site: www.rubemalves.com.br

            

Plantão Psicologico na Escola

Olá Turma.
                 Boa Noite.
                 Os interessados no plantão psicológico na escola, alguns textos interessantes.

PLANTÃO PSICOLÓGICO NA ESCOLA: a contribuição de um espaço para o crescimento do aluno como pessoa

Rumena Cruz Lages
(texto de power point)
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Unidade São Gabriel

Orientadores: Paulo Pacheco/ Raquel dos Santos

Belo Horizonte
2005
Introdução
“O que me fez pensar no assunto?”
Estágio Supervisionado – Plantão Psicológico na Escola
Projeto realizado na Escola Estadual Professor José Antônio Ribeiro Filho em 2003.
Retorno à escola - Qual a contribuição do Plantão Psicológico para os alunos?
Idéia - O papel da Psicologia na escola deve ser diversificado.
Diálogo entre prática e teoria – Estudos realizados por Miguel Mahfoud (1999) e Márcia Alves Tassinari (1999).
Introdução
Fundamentação
Abordagem Centrada na Pessoa – Desenvolvida por Carl Ransom Rogers e seu colaboradores a partir de 1940.
O Plantão Psicológico é uma modalidade do Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa.
Definição
Serviço que objetiva a promoção da saúde, por facilitar uma maior compreensão da pessoa e da situação que ela apresenta de imediato, ou seja, no aqui e agora (TASSINARI, 1999).
Introdução
Plantão Psicológico na Escola
Espaço onde o aluno possa buscar auxílio para rever, repensar e refletir suas questões pessoais de forma espontânea. Privilegia o aluno como pessoa, em vez de reduzi-lo a um indivíduo que somente vai à escola para estudar. Suporte à Psicologia Escolar – Trabalho complementar para o desenvolvimento das camadas inseridas no contexto escolar.
Objetivos
Objetivo Geral
Analisar a contribuição que o Plantão Psicológico na escola pode oferecer aos alunos.
Objetivos
Objetivos Específicos
Observar se o Plantão Psicológico em uma instituição educacional facilita o processo de crescimento e tendência à atualização dos alunos.
Analisar a eficiência do Plantão Psicológico na escola como um espaço de aconselhamento psicológico.
Analisar o Plantão Psicológico na escola a partir das noções básicas que regem a Abordagem Centrada na Pessoa.
Metodologia
Método: Fenomenológico
A redução fenomenológica consiste em retornar ao mundo da vida, tal qual aparece antes de qualquer alteração produzida por sistemas filosóficos, teorias científicas ou preconceitos do sujeito; retornar a experiência vivida e sobre ela fazer uma profunda reflexão que permita chegar à essência do conhecimento, ou ao modo como este se constitui no próprio existir humano (FORGHIERI, 2001, p.59).
Atingir a essência do próprio conhecimento através da investigação do sentido ou significado da experiência vivida pelos sujeitos em uma determinada situação de sua existência cotidiana.
Metodologia
Perspectiva fenomenológica
Envolvimento existencial do pesquisador – Compreender e investigar a experiência do outro, sem negar sua subjetividade ao acessar a dimensão singular do sujeito.
Metodologia
Escolha dos sujeitos

Alunos de 5ª a 8ª séries (manhã) da E. E. Profº José Antônio Ribeiro Filho localizada no Bairro São Gabriel, BH/MG.
Amostra: Quatro entrevistas
Coleta de dados

Realizada em duas fases. São elas:
1ª)Atendimento no Plantão Psicológico;
2ª)Aplicação de entrevista pós-atendimento.
Metodologia
Análise de dados
Categorias de Análise:
Procura – Informações relacionadas ao Plantão Psicológico na escola. “Um lugar para falar de coisas que não poderia falar com os pais, amigos ou professores”.
Ajuda – Sentimentos experienciados pelo sujeito e expectativas em relação ao atendimento. “Estou me sentindo aliviado, me sentindo muito bem”.
Encontro – Opiniões e valores acerca do Plantão Psicológico na escola. “Um espaço para desabafar, um lugar de ajuda”.
Resultados
“O que eu encontrei?”
Contribuição: Ajuda na compreensão das questões apresentadas pelos alunos e, consequente, auto-expressão que leva ao amadurecimento dos mesmos.
Dificuldade inicial: Expressão dos sentimentos experienciados antes de procurar o plantão.
Facilidade: Expressão das necessidades – Ajuda/Lugar para desabafar.
Resultados
“O que eu encontrei?”
Ocorrência de expressão dos sentimentos experienciados no plantão ao longo dos atendimentos e das entrevistas pós-atendimento – Auto-desenvolvimento.
Vivência das noções básicas (consideração positiva incondicional, compreensão empática, congruência, tendência atualizante e liberdade experiencial) que regem o Plantão Psicológico fundamentado na Abordagem Centrada na Pessoa.
Eficácia do Plantão Psicológico: Outra possibilidade de atuação do psicólogo no âmbito escolar (Aconselhamento Psicológico).
Considerações Finais
Premissas básicas
O Plantão Psicológico somente acontece se o sujeito procura por ele. O sujeito procura pelo plantão orientado pela procura de si mesmo.
Ajudar as pessoas que procuram auxílio psicológico a desenvolver capacidades de ampliar o controle sobre si e aperfeiçoar seu bem estar.
“O plantão pode contribuir em muitas coisas, pode ajudar, dar tranquilidade para fazer as coisas certas”.
Referências Bibliográficas
AMATUZZI, Mauro Martins. O que é ouvir. Estudos de Psicologia, n. 2, Agosto/Dezembro/1990, PUCCAMP.

CUNHA, Beatriz Belluzzo Brando et al. Psicologia na escola: um pouco de história e algumas histórias. São Paulo: Arte & Ciência, 1997.

FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia Fenomenológica: fundamentos, método e pesquisas. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.

GOMES, William B. (Org.). Fenomenologia e pesquisa em psicologia. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1998.

JORDÃO, Marina Pacheco. Reflexões de um terapeuta sobre as atitudes básicas na relação terapeuta-cliente. In: ROSENBERG, Rachel Lea (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987.
Referências Bibliográficas
MAHFOUD, Miguel. A vivência de um desafio: plantão psicológico. In: ROSENBERG, Rachel Lea (org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987.

MAHFOUD, Miguel (Org.). Plantão psicológico: novos horizontes. São Paulo: Companhia Ilimitada, 1999.

MARÇOLLA, Bernardo Andrade. Introdução à pesquisa fenomenológica: uma experiência de estágio em psicologia. Cadernos de Psicologia. Belo Horizonte, v. 6, n. 9, p. 33-38, dez. 1999.

MASINI, Elcie Fortes Salzano. Ação da psicologia na escola. 1978.

MIRANDA, Clara Feldman de; MIRANDA, Márcio Lúcio de. Construindo a relação de ajuda. 13 ed. Belo Horizonte: Crescer, 2002.
Referências Bibliográficas
MORATO, Henriette Tognetti Penha. (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

POKLADEK, Danuta D. Atitude fenomenológica do psicólogo escolar: relato do seu cotidiano. In: CASTRO, Dagmar Silva Pinto de. Fenomenologia e análise do existir. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2000.

ROGERS, Carl R. Terapia centrada no paciente. São Paulo: Martins Fontes, 1951.

ROGERS, Carl R.; ROSENBERG, Rachel Lea. A pessoa como centro. São Paulo: EPU, 1977.

ROGERS, Carl R.; KINGET, G. M. Psicoterapia e relações humanas. Minas Gerais: Interlivros, 1977.
Referências Bibliográficas
ROGERS, Carl R.; STEVENS, Barry. De pessoa para pessoa. São Paulo: Editora Pioneira, 1978.

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

ROSENBERG, Rachel Lea. Terapia para agora. In: ROGERS, Carl R. & ROSENBERG, Rachel Lea. A pessoa como centro. São Paulo: EPU, 1977.

ROSENBERG, Rachel Lea (Org.). Aconselhamento psicológico centrado na pessoa. São Paulo: EPU, 1987.

ROSENTHAL, Raquel Wrona. Plantão de Psicólogos no Instituto Sedes Sapientie: uma proposta de atendimento aberto à comunidade. In: Mahfoud, Miguel. Plantão Psicológico: novos horizontes. São Paulo: Companhia Ilimitada, 1999.
Referências Bibliográficas
TASSINARI, Márcia Alves. Plantão psicológico centrado na pessoa como promoção da saúde no contexto escolar. 1999.149p. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Psicologia, Rio de Janeiro.

YAZLLE, Elizabeth Gelli. Atuação do psicólogo escolar: alguns dados históricos. In: CUNHA, Beatriz Belluzzo Brando. Psicologia na escola: um pouco de história e algumas histórias. São Paulo: Arte & Ciência, 1997.

Apresentado no VI Fórum Brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa - Canela RS - 9 a 15/10/2005

 PAPAE: A HISTÓRIA DO PLANTÃO PSICOLÓGICO DA APAE DE MONTES CLAROS-MG.



Juliano Fonseca Oliveira



RESUMO

Este trabalho apresenta o processo de construção, implantação e funcionamento do PAPAE, Plantão Psicológico da APAE de Montes Claros-MG. Trata-se de uma vivência profissional construída a partir de março de 2011 com o objetivo de dinamizar, estruturar e adequar às necessidades da clientela aos atendimentos clínicos do serviço de psicologia. A partir da necessidade de oferecermos atendimentos de curta duração, psicoterapia breve, com tempo de intervenção determinado, com foco específico e de acolhimento do paciente no exato momento de sua necessidade, criou-se o PAPAE.


ABSTRACT

This paper presents the process of construction, deployment and operation of the Pope, psychological duty of APAE Montes Claros-MG. It is a professional experience built from March 2011 in order to streamline, structure and fit the needs of the customer care clinical psychology service.


Palavras-Chave: Plantão Psicológico, Psicoterapia Breve.


INTRODUÇÃO

A Psicologia é uma ciência que estuda o comportamento humano sua principal finalidade é proporcionar ao homem compreensão e uma melhor relação consigo, com o outro e com o meio. Com este propósito de entender as relações conscientes ou não que são manifestas entre as pessoas a psicologia com sua diversidade teórica e utilizando a escuta como ferramental fundamental de suas práticas, construiu várias estratégias de investigação da subjetividade, ou seja, modalidades de atendimento que acolhe o sujeito de acordo com sua necessidade, com suas questões, angústias e dificuldades.
                 
A escuta, enquanto postura básica é saber ouvir o outro, estar preparado e disponível para receber a vivência que estiver trazendo, tomando-a em sua complexidade original, em seus múltiplos horizontes, de maneira tal a facilitar que a pessoa examine com cuidado as diversas facetas de sua experiência. (MAHFOUD apud PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007).

                   Com a proposta de construir novos métodos clínicos que respondessem à demanda da comunidade, demanda esta que muitas vezes exige urgência, criou-se o Plantão Psicológico que teve origem e iniciou suas atividades no SAP-IPUSP (Serviço de Aconselhamento Psicológico do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), no final da década de 60. (ROSENBERG apud PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007).
                   As primeiras atividades do Serviço de Aconselhamento psicológico (SAP) realizadas pelo IPUSP surgiram como proposta de aprendizagem acadêmica. Segundo Morato (1999, p. 30) “O SAP originou-se a partir da necessidade de um espaço e lugar para oferecer oportunidade de estágio para os alunos de graduação do curso de Psicologia do IPUSP nas disciplinas de aconselhamento psicológico.”.
                   O SAP sendo este espaço de práticas acadêmicas supervisionadas que atendem a população conforme sua necessidade destacou-se no desenvolvimento de três modalidades de atendimento que se tornaram fundamentais para a formação do psicólogo: a Supervisão de Apoio Psicológico, as Oficinas de Criatividade e o Plantão Psicológico. (MORATO, 1999).
                   O Plantão Psicológico é uma modalidade de atendimento realizado pelo Psicólogo que acolhe o sujeito no exato momento de sua necessidade, ficando a critério do cliente o interesse pela sequência ou não dos encontros, pelas questões a serem abordadas e pelos horários dos atendimentos, de acordo com o que é sistematizado pela instituição que oferece o serviço. Ficando por obrigação da instituição a organização e divulgação do trabalho, disponibilização dos recursos adequados para o bom andamento dos atendimentos, contatos e parcerias com outras instituições, organizações e até mesmo, órgãos de saúde e educação. (MORATO, 1999, p. 34).
Schmidt (2004) afirma que o Plantão Psicológico busca acolher e responder a demandas por ajuda psicológica, colocando à disposição da clientela que procura o serviço um tempo e um espaço de escuta abertos à diversidade e à pluralidade das demandas e usuários do Plantão.

É necessário, contudo, clarificar os significados que acolher e responder assumem no Plantão Psicológico. Acolher refere-se, nesse caso, a uma peculiar atenção para a experiência do cliente no momento em que procura ajuda, que inclui não apenas o que convencionalmente se entende por queixa, mas o modo como o cliente vive essa queixa, os recursos subjetivos e do entorno sociopsicológico de que dispõe para cuidar de seu sofrimento, bem como as expectativas e perspectivas que se apresentam a partir da busca de auxílio. (SCHMIDT, 2004, p. 173).

                  
REFERENCIAL TEÓRICO

O trabalho do psicólogo no plantão, também chamado nesta modalidade de atendimento, de “conselheiro-psicólogo”, é o de facilitador do processo, proporcionando ao cliente outro olhar diante das questões trazidas e vivenciadas, possibilitando a este, através de sua interação com o conselheiro-psicológico, alternativas e possibilidades para enfrentar dificuldades e angustias. (MORATO, 1999, p. 34).
                   Os objetivos do serviço de plantão psicológico segundo Mahfoud (1987) são:
·         Acolher a demanda do indivíduo que sofre, a partir da utilização de métodos e técnicas de tempo limitado, em conformidade com a abordagem teórica, tendo como alvo o indivíduo com problemas e o não problemático;
·         Desenvolver o trabalho pela compreensão da maneira como o problema atual afeta a vida do individuo, buscando elementos que forneçam uma nova perspectiva de entendimento e ampliem as alternativas desse indivíduo para lidar com suas próprias questões.
                   A história do Plantão Psicológico foi construída a partir de uma relação com a teoria centrada na pessoa de Rogers. Segundo Mahfoud (1987) citado por Paparelli e Nogueira-Martins (2007, p. 66) “Os trabalhos publicados que referenciam o desenvolvimento da atividade em plantão psicológico são, via de regra, realizados na abordagem centrada no cliente. Contudo, é um tipo de atividade que pode também ser promovido em outras abordagens.”. Paparelli e Nogueira-Martins afirmam ainda que independente da abordagem seguida pelo conselheiro-psicólogo, o trabalho no plantão exige deste um posicionamento pessoal, ético, político, social e Profissional que favoreça a relação com o cliente, condição esta, de postura imediata, que o psicólogo encontrará não apenas no trabalho de Plantão Psicológico, mas em boa parte de suas atuações profissionais.
                   O atendimento no serviço de Plantão Psicológico ocorre em três fases: Primeira Sessão, Acompanhamento e Desfecho. A Primeira Sessão caracteriza-se por acolher o cliente com sua demanda, e todos os elementos que este traz, através de uma entrevista inicial. A segunda fase, Acompanhamento, acontece através de intervenções com tempo limitado realizadas em um limite máximo de dez sessões. A terceira fase, Desfecho, momento de encerramento do processo terapêutico que pode resultar em seu término ou encaminhamento. Nem todos os que procuram o plantão atingem as três fases devido o serviço ter suas especificidades e limitações, fazendo-se necessário o atendimento em outras modalidades, entretanto, qualquer solicitante é atendido, orientado, esclarecido sobre melhores possibilidades de ajuda bem como intervenções familiares, institucionais e encaminhamento. (PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007, p. 67).
                   O primeiro contato do cliente com o SAP é o Plantão, Segundo Morato (1999, p. 100) “O Plantão Psicológico é a porta de entrada do SAP para todas as pessoas que buscam algum tipo de ajuda psicológica junto a esse serviço. Está estruturado para que o cliente seja acolhido por um espaço de escuta qualificada, no momento mesmo em que procura auxílio.”.
                   As pessoas que procuram o auxílio do plantão são motivadas através de suas crises a buscarem ajuda em alguém que os acolha, que os escute, que estejam ali de prontidão para recebê-los no momento de maior angústia, o momento da dor. (JASMIM apud PAPARELLI; NOGUEIRA-MARTINS, 2007).
                   O primeiro acolhimento do cliente realizado no Plantão Psicológico exige do conselheiro psicólogo a elaboração de uma entrevista psicológica que será realizada no intuito de atender as necessidades da instituição que oferece o serviço visando à possibilidade de solucionar questões burocráticas. (MORATO, 1999).

A entrevista não é pensada como triagem, na qual se avalia a adequação da clientela aos dispositivos de prestação de serviço da instituição, mas como espaço propício à elaboração da experiência do cliente no que diz respeito ao sofrimento psíquico que ele porta e às possibilidades ou vislumbres de ajuda que ele concede. Assim, a entrevista de plantão visa facilitar que o cliente clarifique a natureza de seu sofrimento e de sua demanda por ajuda. O tipo de elaboração e o grau de elaboração que são alçados nesta primeira entrevista são o critério norteador dos desdobramentos possíveis deste encontro inicial. (MORATO, 1999, p. 100).

                   Segundo Morato (1999) o serviço de Plantão Psicológico que iniciou suas atividades no SAP-IPUSP dentro da clínica escola com uma proposta de prática de estágio, expandiu sua atuação para outras instituições no intuito de responder as demandas apresentadas pelo público, uma delas foi à escola.
                   O serviço de Plantão Psicológico quando entra no ambiente escolar consegue acolher o aluno em um contexto que oferece pouca ou nenhuma escuta no que diz respeito à complexidade de experiências vivenciadas por este cliente que muitas vezes não dá conta de lidar com a situação. Segundo Mahfoud (1987) citado por Paparelli e Nogueira-Martins (2007, p. 104) “O Plantão, quando aplicado em contexto de escolas contribui para um processo de formação humana que considere o aluno como pessoa, com toda sua complexidade de experiências que o acompanham no momento de sua presença na escola.”.
                   Com a proposta de acolher o aluno valorizando sua experiência, aquilo que ele traz consigo e acolhendo-o como pessoa o Plantão Psicológico para alcançar seus objetivos dentro desta instituição necessita de ter seu serviço reconhecido pela comunidade escolar, sendo assim de fundamental importância sua divulgação junto aos professores, funcionários e alunos. (MAHFOUD 1987 apud PAPARELLI-MARTINS, 2007.).
                   Seguindo a mesma proposta de realização do Plantão Psicológico nas clínicas escolas, faz-se necessário o mesmo cuidado no que diz respeito à prática deste serviço no contexto escolar. É necessário que a instituição que se propõe desenvolver este trabalho disponibilize um espaço adequado para o desenvolvimento das atividades, também é importante a sistematização do serviço, ou seja, associar à prática do plantão a instituição escolar, construindo toda uma estrutura adequada em parceria com o conselheiro-psicólogo para o bom desenvolvimento das atividades. (MORATO, 1999.).
                  
A IMPLANTAÇÃO, FUNCIONAMENTO E DINÂMICA DE ATENDIMENTO DO PAPAE

O PAPAE foi implantado ao serviço de psicologia de APAE de Montes Claros-MG, com a finalidade de adequarmos os atendimentos psicológicos as necessidades de nossa clientela, como evidencia Schmidt (2004, p. 173) em relação ao Plantão Psicológico, esse busca “responder à pluralidade e à diversidade de demandas por ajuda psicológica advindas da clientela”. Ao analisar os prontuários dos usuários dos atendimentos clínicos do serviço de psicologia pode-se perceber o auto índice de interrupções e ausências desses nos atendimentos, o que fragilizava o processo terapêutico. Com isso, fez-se necessário a oferta de um tipo de serviço de curta duração, com demandas específicas e que atendesse o paciente no exato momento de sua necessidade. Por isso, a partir das experiências de Mahfoud, autor e pesquisador referência nessa modalidade de atendimento estruturou-se e implantou-se o serviço de Plantão Psicológico, denominado de PAPAE, na APAE de Montes Claros-MG.
Os atendimentos do PAPAE iniciaram primeiramente com os alunos e familiares, em seguida, devido à necessidade de nossa instituição em assistir seus funcionários com o serviço de psicologia, a esses, também, foi ofertado o PAPAE no intuito de proporcionar atendimento psicológico àqueles que oferecem o serviço e cuidam dos alunos e seus familiares.
A realização do PAPAE aconteceu de Março a Junho de 2011, as segundas-feiras, no horário de 07:00 as 11:00 e 13:00 as 17:00 h, em Julho, período de férias escolares, realizamos uma parceria com o Município onde atendemos usuários do SUS de Montes Claros-MG, esses, encaminhados pelas UBS (Unidade Básica de Saúde), Postos de Saúde e ESF (Estratégia Saúde da Família) da rede de atenção à saúde, sendo que nesse período os atendimentos aconteceram de segunda à quarta-feira no período de 07:00 as 11:00 e 13:00 as 17:00 h.
O serviço de Plantão Psicológico foi divulgado a clientela, seu funcionamento, finalidade, local, dias e horários. Os atendimentos aconteciam no consultório de psicologia. A dinâmica dos atendimentos aconteciam a partir 

RESULTADOS DO PAPAE

O PAPAE possibilitou o atendimento de uma maior quantidade de usuários, dentre eles, alunos, pais, mães, demais familiares, aos funcionários da APAE de Montes Claros-MG, também, usuários de SUS (Sistema Único de Saúde) de Montes Claros-MG, já que somos uma UPS (Unidade Prestadora de Serviço à Saúde) da Pessoa com Deficiência. Lembrando que o atendimento aos usuários do SUS concentrou-se no período de férias escolares de Julho, onde a demanda de atendimentos é reduzida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As diversas situações problemas que nos deparamos em nosso cotidiano exigem-nos um novo olhar em relação aos conflitos e novas estratégias de intervenção psicoterápica, dentre essas, as psicoterapias breves surgem como uma modalidade de atendimento cujo objetivo é proporcionar ao sujeito um novo olhar e posicionamento diante dos conflitos, problemas e sofrimentos.























REFERÊNCIAS

MAHFOUD, Miguel. Plantão Psicológico: novos horizontes. São Paulo: Editora C.I. , 1999.

MORATO, Henriette Tognetti Penha (Org.). Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa: novos desafios. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

PAPARELLI, Rosélia Bezerra; NOGUEIRA-MARTINS, Maria Cezira Fantini. Psicologia Ciência e Profissão. Psicólogos em Formação: Vivências e demandas em Plantão Psicológicos. São Paulo. Psicologia Ciência e Profissão, 2007, p. 64-79.

ROGERS, Carl R. Um Jeito de Ser. São Paulo: EPU, 1983.

SCHMIDT, Maria Luisa Sandoval. Plantão psicológico, universidade pública e política de saúde mental. Estud. psicol. Campinas. 2004, vol.21, n.3, pp. 173-192.











Plantão Psicológico na Escola

Olá Turma.
               Quem esta interessado em Plantão Psicológico na escola. Vamos nos aprofundar. Leiam estes textos.


TRÊS EXPERIÊNCIAS EM PLANTÃO PSICOLÓGICO
MORATO, H. T. P. (coord.) Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa: novos desafios. SP: Casa do Psicólogo, 1999. Cap. 8: “Plantão psicológico na escola: uma experiência”,pp. 145-160 MORATO, H. T. P. (coord.) Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa: novos desafios. SP: Casa do Psicólogo, 1999. Cap. 9: “Plantão psicológico em hospital psiquiátrico”,pp.161-176; ROSENTHAL, RAQUEL W. Plantão de Psicólogos no Instituto Sedes Sapientiae: umaproposta de atendimento aberto à comunidade. IN: Mahfoud, Miguel (org.). Plantão Psicológico: novos horizontes. São Paulo: Editora Companhia Ilimitada, 1999. Pg. 15-28.
1. As experiências
A) Raquel W. Rosenthal relata sua experiência de implantação do Plantão Psicológico no Instituto SEDES SAPIENTIAE, em 1980. A implantação do serviço foi desenvolvida pelo Centro de Desenvolvimento da Pessoa, como um curso de Expansão Cultural, de duração semestral. Segundo a autora, o primeiro passo foi a decisão pela implantação do serviço, fundamentado nas idéias de Raquel Lea Rosenberg. Seguiu-se a seleção dos psicólogos plantonistas, cuidando-se para que fossem “especialmente sensibilizados pela natureza do serviço proposto” (pg. 17). Organizou-se o Plantão em duas noites, das 20 às 22 horas, e duas equipes, que se alternavam no Plantão e na Supervisão. A supervisão ficava também disponível para as necessidades dos plantonistas, no próprio momento do atendimento.
Por parte da instituição, havia uma preocupação de que a nova modalidade de atendimento gerasse maiores filas de espera, todavia, havia especial abertura para a proposta. Era parte da proposta um atendimento diferente da triagem, um atendimento cuja finalidade fosse o próprio encontro, no momento presente, o que resolvia a preocupação quanto a filas de espera.
Para a divulgação do serviço, imprimiram-se cartazes:
Somos um grupo de psicólogos prontos para ouvir, trocar idéias, esclarecer dúvidas. Enfim, estar com você no momento em que sentir que um psicólogo pode ajudar.
Foram feitas também divulgações na imprensa televisiva e impressa.
A experiência inicial durou três semestres, com 117 casos novos e 28 retornos. Das 117 pessoas ouvidas, 52% eram mulheres. As profissões eram variadas. Dos 68 depoimentos deixados, vários abordaram a importância daquele momento de escuta.
Os plantonistas vivenciaram algumas dificuldades: a sua ansiedade, a preocupação com o desligamento dos clientes, o que gerou grande número de encaminhamentos e intervenções mais diretivas. Os psicólogos também traziam a convicção de que, para ser eficiente, a intervenção deveria prolongar-se, a priori. O contato com clientes de menor poder aquisitivo gerou outras tantas questões, entre as quais a dúvida sobre a capacidade do próprio cliente resolver suas necessidades.
B) Miguel Mahfoud relata a experiência de implantação do Plantão Psicológico em uma escola, na década de 1990. Na escola envolvida, Miguel exercia a função de psicólogo, enquanto outros profissionais exerciam a orientação educacional, a coordenação pedagógica e disciplinar. Ele optou pelo Plantão Psicológico na escola, como forma de estruturar a sua atuação, considerando que o primeiro objetivo da educação é a formação da pessoa humana, e que esta seria uma forma privilegiada de constituir sua presença na escola. Para isso, preparou panfletos na forma de uma música (para o colegial / Ensino Médio) e em forma de historinha (para o nível ginasial / Ensino Fundamental Ciclo II), nos quais buscava questionar os alunos sobre a possibilidade de terem na escola um espaço de reflexão pessoal, acompanhados pelo psicólogo. Nos panfletos, descaracterizava a busca do psicólogo como uma iniciativa vinculada à existência de “problemas”, caracterizando-a, antes, como uma possibilidade de crescimento e uma decisão consciente pelo desenvolvimento pessoal. Observou-se uma significativa adesão dos alunos, que se mostrou mais positiva à medida que a experiência pessoal confirmava o plantão psicológico como “um espaço para as pessoas, mais do que para os problemas” (pg. 147). Os alunos se mostravam disponíveis, de uma forma diferente do habitual, pois sabiam que, mesmo quando comportamentos e notas eram discutidos, o essencial era a sua pessoa e a sua resposta à situação, tal como ele decidisse configurar. Foi necessário um cuidado especial com os professores e a instituição, pois os professores a princípio perceberam o Plantão negativamente, como um espaço aliado dos alunos e contrário aos docentes. Para Miguel, foi uma rica experiência, como educador e psicólogo, uma possibilidade de realmente voltar-se para a pessoa humana, como centro de sua atuação profissional. C) Walter Cautella Jr. relata a experiência de implantação do Plantão Psicológico no Hospital Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo, uma instituição hospitalar psiquiátrica religiosa, caracterizada por internações breves e uma ideologia humanista. Segundo Walter, o hospital abriga pacientes psiquiátricos e drogadictos em fase aguda ou sub-aguda de seu quadro clínico, momento em que apresentam riscos para si e para os outros, justificando a necessidade de sua internação. O hospital tem como trabalho principal a atuação médica psiquiátrica, que é responsável pelo diagnóstico e determinação do tratamento para os pacientes. Essa equipe médica participa de uma equipe multi-profissional, formada por assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psicólogos e uma nutricionista. A atuação psicológica é mais voltada à fase sub-aguda da internação, quando o paciente já apresenta melhora em seu estado e maior capacidade de relacionamento e elaboração. Na fase aguda, quer pelos sintomas do próprio quadro que o distanciam da realidade e da possibilidade de reflexão ou vinculação, quer pelo impacto da medicação que diminui a capacidade de elaboração, o trabalho psicológico é menos acentuado. No hospital, à época em que Walter implantou o Plantão Psicológico, o trabalho dos psicólogos se voltava para psicoterapia de grupo e psicoterapia individual. Todavia, analisava-se que a motivação dos pacientes era mais voltada ao desejo de obtenção de alta, do que de fato a uma busca pessoal por psicoterapia. Diante disso, optou-se pela implantação do Plantão Psicológico, como possibilidade paralela às psicoterapias individuais e grupais. Walter entendeu que, no Plantão, rompia-se com as dificuldades observadas, uma vez que em primeiro lugar, era o paciente quem decidia se queria comparecer ao Plantão. Por outro lado, uma vez que o terapeuta plantonista não estabelece um foco e não se preocupa com os sintomas, mas com a pessoa do paciente, criava-se aí uma possibilidade inédita de encontro do paciente psiquiátrico consigo mesmo.
2. Aspectos conceituais dos relatos
“Muitas pessoas, em determinada circunstância de suas vidas, poderiam se beneficiar ao encontrar uma interlocução diferenciada, que lhes propiciasse uma oportunidade também de escutar a si mesmos, identificando e reconhecendo seus próprios sentimentos e possibilidades de auto direção, no momento em que enfrentam a dificuldade, sem que necessariamente tenham que se submeter a atendimento sistemático, prolongado, como tradicionalmente oferecerem as psicoterapias.” (pg 16-17)
“Se atendermos à complexidade da vida humana com olhar justo, temos que reconhecer que,numa hora ou menos, é altamente improvável que possamos reorganizar a estrutura de vida de um indivíduo. Se pudermos reconhecer este limite e nos abstivermos de desempenhar o papel de Deus, poderemos oferecer um tipo muito precioso de ajuda, de esclarecimento, mesmo num curto espaço de tempo. Podemos permitir ao cliente que exprima seus problemas e sentimentos de forma livre, e deixá-lo com o reconhecimento das questões que enfrenta.” (Rogers apud Rosenthal, pg. 16)
“Mesmo no caso de problemas graves ou dificuldades antigas, conclui-se que o princípio de tudo-ou-nada  ou seja, terapia profunda e prolongada ou nenhuma assistência psicoterápica
 não tem real validade. Especialmente em pontos críticos do desenvolvimento ou da vivência, uma intervenção adequada tem, além de efeitos terapêuticos, caráter preventivo de conflitos maiores posteriores” (Rosenberg apud Rosenthal, pg. 18-19).
“... nossa proposta não era criar um serviço para emergências psiquiátricas e sim oferecerescuta imediata, recebendo a pessoa no momento da dificuldade, sem que necessariamente a intensidade dessa dificuldade tivesse atingido um ponto crítico que representasse ameaça iminente à sua integridade ou à de outros (...). ” (pg. 19)
“O Plantão Psicológico não foi concebido como uma alternativa ‘tampão’ para acabar com filas de espera em serviços de assistência psicoterapêutica, já que não pretende substituir a psicoterapia. Não acreditamos que uma única sessão seja capaz de resolver sérios problemas emocionais ou promover resultados reconstrutivos da personalidade.” (pg. 19)
“A grande descoberta deste século para as Ciências Humanas é a descoberta terapêutica daescuta. Não há melhor entendimento que alguém possa nos prestar do que servir-nos de ouvido para as falas baixas e quase imperceptíveis da nossa existência”. (Bonder apud Rosenthal, pg. 27)
“Ouvir pode sugerir uma atitude passiva, mas não é. Ouvir implica acompanhar, estar atento, estar presente. Presença inteira.” (pg. 27) “Isso fez com que mesmo quando precisávamos chamar alguém para conversar por pedidos da coordenação pedagógica ou disciplinar, ou por pedido de algum professor, a disponibilidade de tratar dos problemas fosse já diferente, porque o interesse era por ele, e não por suas notas ou comportamentos. Então, até suas notas e comportamentos eram discutidos; suas queixas intermináveis, ouvidas; mas sua pessoa continuava a ser o centro, e a resposta à situação assim como é ainda cabe a ele, que poderia agora ter alguém a quem se referir, com quem se avaliar, em quem se apoiar.” (pg. 148)
“A consciência ampla do educador, ali frente ao aluno, traduz-se também em disponibilidade ecumplicidade, para que o aluno viva com realismo e cuidado consigo mesmo.” (pg. 148)
“O primeiro conceito define a doença mental como uma ‘patologia da liberdade’ (Sonenreich,C. e Bassit, W., 1979). (...) Neste conceito, a palavra ‘liberdade’ refere-se à capacidade de o indivíduo optar, ou seja, de criar normas para se gerenciar. O doente mental seria aquele indivíduo que perdeu a capacidade de optar e passa a viver regido pelas normas ditadas pela sua patologia.” (pg. 164)
“O segundo conceito vem para complementar e aprofundar o que foi acima citado. SegundoAlfredo Moffatt (1983), a patologia seria uma desorganização da temporalidade e, consequentemente, da identidade. (...) Para ele, a consciência é um processo pontual que ocorre de momento a momento, e o homem através de um longo processo evolutivo conseguiu desenvolver uma construção imaginária que lhe assegura a continuidade de seu psiquismo (tempo) e, consequentemente, de sua identidade. Desta forma, o que nos difere dos animais é que esse só possui um presente imediato, enquanto que o homem, através dessa trama, possui o presente, sabe de seu passado e pode inferir sobre seu futuro. Essa continuidade no processo de consciência permite que o indivíduo crie sua identidade. O ponto central dessa teoria define que a doença mental é a destruição dessa trama de sustentação da continuidade do EU. Consequentemente, a pessoa se fragmenta e dissolve a sua vivência de existir (crise). Ela descobre que o tempo não existe e cai em um vazio paralisante e insuportável. Para superar essa situação, o indivíduo tenta construir uma nova trama de continuidade, que nada mais é que uma restituição neurótica ou psicótica. Essa trama não é compartilhada por todos. O sujeito cria um novo EU isolado e alheio à cultura geral.” Pg. 165
“Quanto ao plantonista, esse deve estar preparado para uma situação terapêutica muitodiferente das abordagens tradicionais. O profissional deve estar ciente e disposto a se defrontar com o não planejado (...).” pg. 167
“Tanto o cliente como o profissional devem saber da possibilidade de esse encontro ser único. A percepção da limitação temporal vai gerar uma modificação interna nos participantes do encontro. Possibilitará ao plantonista uma maior sensibilidade frente às questões do cliente, e esse, por sua vez, tentará reorganizar sua demanda de maneira a hierarquizar e priorizar aquilo que é mais importante para si naquele momento.” (pg. 167)
“ O plantonista (...) deve se propor a responder à demanda do cliente naquele momento. Essa proposta, aparentemente impossível, torna-se viável quando o profissional coloca-se à disposição para acolher a experiência do cliente e não apenas seus sintomas.” (pg. 167) “O que se deseja é que o cliente perceba-se inserido no mundo e passe a compreender suas questões e sintomas não mais dissociados do geral, e, sim, como parte integrante desse todo.” (pg. 168)
“Quando o plantão psicológico propicia ao cliente uma visão mais clara e abrangente de si de de suas perspectivas frente à problemática, ele está promovendo saúde, como a compreendemos. Quando o indivíduo se questiona e se posiciona frente a seus conflitos, ele está fazendo opções e percebendo sua existência inserido em um contexto históricosociocultural. Nesse momento, há um resgate da capacidade de optar e da própria identidade do sujeito. Mesmo que esse resgate seja momentâneo  como muitas vezes acontece  e o indivíduo mergulhe na estagnação e nulidade patológica em seguida, esses núcleos devem ser valorizados, pois falam de um potencial de saúde.” (pg. 168)
“A experiência desenvolvida pelo psicoterapeuta de aceitar incondicionalmente a experiênciado cliente permite que se estruture um campo onde este pode entrar em contato com os fatores que vêm causando desorganização na sua relação com o mundo e, a partir daí, tentar uma organização mais eficiente.” (pg. 168)
“O plantonista não deve estar atento apenas às queixas psicológicas do cliente, mas sim, nomodo como a situação conflitiva interfere nas várias esferas da vida da pessoa. Acolher a experiência global do cliente, e não orientar os rumos do encontro pela sua especialidade, coloca o plantonista em uma posição privilegiada (...).” pg. 171


Olá Turma .
                Coloco nesta postagem alguns endereços para que esta estudando e trabalhando com
Bullying. É de fundamental importância conhecer tudo que for possível sobre o tema. Ok

http://www.portalbullying.com.pt/

O Conselho Nacional da Justiça lança uma cartilha contra o Bullying, acesse e conheça:
http://www.cnj.jus.br/images/programas/justica-escolas/cartilha_bullying.pdf


POrtal Bullying não é brincadeira. muito legal
http://bullyingnaoebrincadeira.com.br/about/

SE QUISEREM MAIS DICAS ENTREM EM CONTATO.
BEIJO