Pesquisar este blog

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Psicologia escolar e educacional em busca de novas perspectivas

 Ola Alunos de Psicologia Educacional e Escolar.

Texto da Professora Marilene Proença Rebello de Souza 
Doutora e Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
Psicologia escolar e educacional em busca de novas perspectivas

Educational and school psychology: new perspectives



Apresentaremos a seguir a Conferência proferida pela Dra. Marilene Proença Rebello de Souza, presidente atual da ABRAPEE, durante as atividades científicas do VIII Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional, em 2007, realizado na Universidade Federal de São João Del Rei, intitulada Psicologia Escolar e Educacional em busca de novas perspectivas.
A área de Psicologia Escolar e Educacional é uma das áreas de pesquisa e de atuação profissional no campo da Psicologia tradicionalmente presente na história dessa ciência no Brasil. Do ponto de vista histórico, a Psicologia Escolar e Educacional permaneceram como campos distintos até muito recentemente: a primeira como o campo da prática profissional e a segunda enquanto área de pesquisa em Psicologia. Essa dicotomia passou a ser questionada por uma perspectiva crítica que considerava que teoria e prática são elementos indissociáveis na constituição de uma ciência dita humana.
As discussões advindas da década de 1980 passaram a repensar a tarefa do psicólogo, defendendo a necessidade de mudança nos referenciais teóricos na compreensão das questões escolares, com vistas a promover o desenvolvimento de práticas pedagógicas de melhor qualidade. Esse movimento de crítica fortaleceuse no campo da Psicologia Escolar e atualmente podemos considerar que temos, no Brasil, um conjunto de trabalhos de intervenção e de pesquisa que: a) rompe com a culpabilização das crianças, adolescentes e suas famílias pelas dificuldades escolares; b) constrói novos instrumentos de avaliação psicológica e de compreensão da queixa escolar; c) articula importantes ações no campo da formação de professores e de profissionais de saúde.
É possível afirmar que de fato se constitui uma corrente crítica no campo da Psicologia Escolar, considerando-a como área de estudos da Psicologia, de atuação e de formação do psicólogo que busca compreender o fenômeno educacional como produto das relações que se estabelecem no interior da escola. Escola essa atravessada pelas políticas educacionais, pela história local de sua constituição enquanto instituição e enquanto referência educacional e de aquisição de conhecimento pelos sujeitos que a constituem e nela se constituem.
A Psicologia se amplia para sua dimensão educativa e passa a se fazer presente nos mais diversos campos educacionais: na área da Criança e do Adolescente, atuando com projetos de inclusão social, planejamento de ações comunitárias e sociais, de ação junto a jovens em liberdade assistida; em programas na área do idoso; prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e DST/ AIDS; no campo de programas governamentais e não governamentais de formação de educadores; nos órgãos de Controle Social, Fóruns Estaduais e Nacional, dentre outros. Mas essa ampliação no campo de atuação na direção da Educação não poderá se fortalecer se juntamente com ela não comparecerem as bases teóricas para a construção de uma prática de fato informada, qualificada e crítica.
Precisamos estar sempre atentos para responder às finalidades do trabalho que vimos desenvolvendo, discutindo e analisando por que e para que realizar uma determinada intervenção ou ação, sob pena de nos transformarmos em animadores ou educadores sociais ou técnicos qualificados, perdendo as especificidades do conhecimento psicológico a serviço da educação. Em seguida, detalharemos as ideias apresentadas.
A Psicologia enquanto Profissão
Iniciamos nossa fala destacando a importância da regulamentação da profissão de psicólogo, realizada em 1962, pela Lei no. 4119 de 27 de agosto. Esta regulamentação permitiu a institucionalização da profissão, a instauração de cursos de formação de psicólogos, dentre outros ganhos, mas também influenciou fortemente no modelo de formação que passou a ser instaurado nacionalmente. Este modelo foi fortemente centrado no caráter clínico e de profissional liberal do psicólogo, tendo, como centro da formação, disciplinas que enfatizam os conteúdos relativos ao Psicodiagnóstico, às Psicoterapias e às Técnicas de Exame Psicológico, priorizando o atendimento individual do cliente, nos moldes do modelo médico de consultório (Mello, 1978). Essa formação hegemônica levou à atrofia de outras áreas de atuação historicamente anteriores à própria prática clínica como as áreas das organizações e de psicologia educacional/escolar. De 78 psicólogos, no final da década de 1960, formados pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, chegamos até o momento a aproximadamente 130.000 profissionais no Brasil.
Psicologia Escolar: início da discussão em busca de uma prática crítica
A Psicologia Escolar foi uma das primeiras áreas no Brasil a esboçar uma crítica à formação profissional e ao modelo de atuação psicológica em educação. O trabalho pioneiro de Maria Helena Souza Patto, de 1981, intitulado Psicologia e Ideologia: uma introdução crítica à Psicologia Escolar demonstrava esta análise ao tecer as seguintes críticas: a) à concepção de ciência da Psicologia, centrada no positivismo, na Psicometria e na Psicologia Diferencial; b) às explicações a respeito das dificuldades de aprendizagem, focadas na criança e na teoria da Carência Cultural; c) ao modelo clínico, psicoterapêutico e reeducativo de atuação psicológica no atendimento à queixa escolar.
Tais críticas tiveram repercussões importantes para a área de Psicologia Escolar, destacando-se: a) a importância de pesquisarmos os fenômenos educacionais a partir dos processos que acontecem no interior da escola; b) a necessidade de encontrar modelos teórico-metológicos que superassem a noção unilateral de adaptação da criança ao sistema escolar; c) o destaque para a necessidade de autonomia do trabalho do psicólogo em relação ao corpo dirigente da instituição escolar; d) a reconstituição da identidade do psicólogo no campo da educação.
A discussão posta nos anos 1980 amplia-se nas décadas posteriores e chegamos aos anos 2000 discutindo duas importantes dimensões no campo da Psicologia Escolar e Educacional: a) a necessidade da Psicologia buscar na Educação concepções progressistas que contribuam para o entendimento do que é o homem concreto (como produto das relações sociais & no nível da sociedade mais ampla) (Tanamachi, 2000); b) a necessidade de se buscar no interior da Psicologia pressupostos teórico-metodológicos que permitam analisar criticamente temas e teorias que possibilitem compreender o encontro do sujeito humano com a educação (Meira, 2000). As questões postas a partir da crítica à psicologia adaptacionista possibilitaram, nos anos 1990, pesquisas sobre os seguintes temas: a) fracasso escolar; b) identidade profissional; c) escolarização do deficiente mental; d) formação profissional; e) atuação profissional na educação em uma perspectiva crítica; f) avaliação psicológica de problemas escolares; g) vida diária escolar, dentre outros.
O aprofundamento das discussões no âmbito da Psicologia Escolar e Educacional permitiu que a área produzisse estudos que levaram à elaboração de elementos constitutivos de uma atuação/formação em Psicologia Escolar em uma perspectiva crítica (Checchia & Souza, 2003), a saber: a) Compromisso político do psicólogo com a luta por uma escola democrática e de qualidade social; b) ruptura epistemológica com concepções adaptativas de Psicologia na direção de uma Psicologia Crítica; c) construção de uma práxis psicológica frente à queixa escolar. A seguir, detalharemos cada um desses elementos.
No que se refere ao compromisso político do psicólogo com a luta por uma escola democrática e de qualidade social, destaca-se o resgate da função social da escola em uma perspectiva histórico-crítica que remete à: a) formação do pensamento científico; b) formação do cidadão crítico; c) ampliação da socialização e da difusão de valores na direção da sociedade democrática.
Quanto à ruptura epistemológica com concepções adaptativas de Psicologia na direção de uma Psicologia Crítica, houve um intenso movimento na área pela busca de referenciais teórico-metodológicos no campo da Psicologia da Educação que compreendam: a) os fenômenos escolares enquanto produtos do processo de escolarização, constituídos pelas dimensões institucional, pedagógica e relacional; b) o desenvolvimento humano e a aprendizagem enquanto processos inseparáveis, articulando as dimensões biológica, psicológica e histórica dos indivíduos; c) a necessidade de construir instrumentos psicológicos de aproximação e de conhecimento da realidade que permitam compreender a complexidade dos fenômenos educativos; d) a consideração da dimensão educativa no trabalho psicológico.
A construção de uma práxis psicológica frente à queixa escolar deverá considerar como fundamentais: a) a demanda escolar/educacional como ponto de partida de uma ação na escola/instituição educativa que precisa ser compartilhada ; b) o trabalho participativo com todos os setores do processo educativo; c) o fortalecimento do trabalho do professor/ educador; d) a análise coletiva dos diferentes discursos presentes na escola/instituição educativa e nos processos escolares/educacionais em busca do enfrentamento dos desafios produzidos pela demanda escolar/educativa.
Em que dimensões se inserem as novas perspectivas em Psicologia Escolar e Educacional?
As novas perspectivas em Psicologia Escolar e Educacional referem-se à: a) mudança nas perguntas advinda da ruptura epistemológica, permitindo compreender a dimensão educativa do trabalho do psicólogo; b) ampliação das áreas tradicionais de atuação do psicólogo no campo da educação; c) construção de referentes teóricos para uma prática psicológica que considere as dimensões individuais, sociais e históricas do processo de escolarização.
Os avanços teórico-metodológicos da Psicologia Escolar e Educacional trouxeram a possibilidade de construir um novo objeto de estudo para a área, centrado no encontro do psicólogo com a educação. Assim sendo, há várias propostas de modalidades de intervenção/atuação profissional no campo educativo. Ressaltaremos algumas delas. Algumas áreas de atuação são clássicas em Psicologia Escolar e educacional, tais como as instituições escolares e o ensino de psicologia. Quanto a outras áreas, vamos denominá-las emergentes, destacando-se: instituições educativas; educação inclusiva de pessoas com deficiência; direitos da criança e do adolescente e direitos humanos; educação e saúde.
No que se refere à atuação do psicólogo nas instituições escolares, após as críticas dos anos 1990, tivemos uma retração da contratação de profissionais no campo da educação. Ao fazer a autocrítica sobre os modelos e práticas de atuação da Psicologia no campo da educação, a Psicologia Escolar passou por momentos de “crise”, deixando de atuar mais amplamente nos setores educacionais, principalmente nos públicos. De maneira geral, esse espaço tem sido ocupado pela Psicopedagogia, cuja prática tem reeditado a concepção clínica de atendimento à chamada “criança com dificuldades escolares”, atribuindo rótulos sofisticados de transtornos de déficit de atenção e de hiperatividade, abrindo espaços para a patologização/ medicalização do processo de escolarização. O desafio agora principal da Psicologia Escolar é o de superação desse momento de crítica, considerando que já existem propostas interessantes e críticas de intervenção no campo da educação e estas propostas precisam se tornar mais visíveis entre os psicólogos e socialmente.
O Ensino de Psicologia tem se constituído em um espaço eminentemente de formação, de socialização do conhecimento acumulado no campo da Psicologia, de reflexão sobre a constituição da subjetividade humana. Ao adentrarmos ao campo do Ensino da Psicologia, estamos possibilitando estudar a complexidade da formação do ser humano, do que nos permite construir a cultura, os valores, os sentimentos, os sentidos e os significados, que nos permitem interpretar o mundo que está a nossa volta, desnaturalizando o estabelecido, mostrando sua dimensão histórico-social, analisando as relações de poder, de constituição das instituições, incluindo a escola e as relações sociais que nela se estabelecem. Quando se trata de Ensino de Psicologia, lato sensu, estamos nos referindo também às Licenciaturas, aos cursos de formação em Nível Superior em que a Psicologia se faz presente. O trabalho do psicólogo no Ensino não é um trabalho de intervenção psicológica, mas sim de problematizar e discutir questões que são, de alguma maneira, referentes à Psicologia enquanto campo de atuação e de conhecimento. No nível do Ensino Médio, temos um grande desafio posto pela LDBEN (1996) que retirou a obrigatoriedade da Psicologia neste nível de ensino.
Nas áreas emergentes, consideramos a educação inclusiva da pessoa com deficiência. A educação inclusiva defende o direito à escolarização para todos, incluindo crianças com necessidades educativas especiais. Esta posição político-pedagógica presente na Declaração de Salamanca (1994), documento internacional do qual o Brasil é país signatário, traça diretrizes e linhas de ação para que se possa atuar no campo da educação e da escolarização de crianças e adolescentes. Trabalhar nesta direção é fundamental para a Psicologia. Como incluir uma criança na escola? Quais os desafios a serem enfrentados? São algumas das questões postas para nós.
No campo dos direitos da Criança e do Adolescente e dos Direitos Humanos, consideramos que este se fortaleceu com o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), que possibilita a garantia de direitos bem como regula a questão do jovem em conflito com a lei e de medidas socioeducativas. A aprovação do Plano Nacional de Educação para os Direitos Humanos também contribuirá para fortalecer esta importante área de atuação e formação do psicólogo. Precisamos ainda saber o que são direitos sociais, individuais e como exigilos para todos os segmentos sociais. Trabalhos recentes de psicólogos em Ribeirão Preto, São Paulo e Vitória, de atuação junto a conselhos tutelares, bem como de atuação frente aos CEDECAS e demais órgãos de acompanhamento do adolescente, têm demonstrado a importância da Psicologia levar os seus conhecimentos. A atuação junto ao campo da Assistência social e das medidas socioeducativas no campo do direito da criança e do adolescente e de medidas de proteção à criança e ao adolescente (SUAS) serão importantes espaços a serem construídos e consolidados pelo psicólogo escolar. A atuação junto a instituições que atuam no campo dos cuidados - casas abrigo, instituições para idosos; pessoas com deficiências, sofrimento mental, dentre outras - são bons exemplos de possibilidades de trabalho da Psicologia Escolar.
Tratar a questão dos encaminhamentos escolares como encaminhamentos da escola, buscando compreender como se processa a escolarização, é ainda um importante desafio para a Psicologia Escolar e Educacional. Será necessário, cada vez mais, lutar pela importância de compreender a queixa escolar não como mero reflexo de problemas emocionais, mas sim como fruto das relações escolares e rever o processo diagnóstico e seus instrumentos de avaliação, sob pena de darmos destinos que vão constituindo um indivíduo que se distancia cada vez mais da sua condição de ser humano e ser de direitos. Além disso, precisaremos articular ações no plano da formação profissional com as Clínicas-Escola para o atendimento de queixas escolares e articular ações entre os psicólogos que atuam na área da educação com os que se encontram na área da saúde, ampliando a compreensão do processo de escolarização e sua importância na constituição dos indivíduos.
Por fim, é importante ressaltar que precisamos trabalhar e estar sempre atentos para responder às finalidades do trabalho que vimos desenvolvendo, discutindo e analisando por que e para que realizar uma determinada intervenção ou ação, sob pena de nos transformarmos em animadores ou educadores sociais ou técnicos qualificados, perdendo as especificidades do conhecimento psicológico a serviço da educação.
O compromisso profissional do psicólogo com uma concepção política emancipatória também implica uma ética profissional que reside na indignação diante da humilhação e das práticas disciplinares e pedagógicas que retiram do sujeito o seu status de ser humano. Ao considerar a não naturalização das ações humanas, das práticas sociais e pedagógicas, essa ética possibilita o aprofundamento da crítica teórico-metodológica no campo do conhecimento da Psicologia. As perspectivas de uma área profissional como a Psicologia Escolar e Educacional estão, necessariamente, articuladas às respostas que pudermos produzir aos desafios postos pela demandas sociais e institucionais. Por fim, consideramos importante a participação dos psicólogos escolares e educacionais nos espaços organizativos e políticos, bem como na construção de políticas públicas na área da educação, tais como: associações de classe; fóruns de discussão; conselhos de representantes e órgãos de controle social.
Assim, consideramos que o conhecimento psicológico no campo da educação precisa ser constantemente construído, revisitado, criticado, superado, visando dar respostas e interferir, o mais que pudermos, nos rumos das dimensões de formação do sujeito humano.

Referências
Brasil. (1990). Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. Recuperado: 29 fev. 2008. Disponível: portal.mec.gov.br/seesp/index2.php?option=content&do_pdf=1&id=63&banco=.
Brasil. (1999). Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei no. 8.069, de 13 de julho de 1990. 29 Recuperado: Fev. 2008.Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm.         [ Links ]
Brasil. (2008). Declaração de Salamanca. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Recuperado: 29 fev. 2008. Disponível:portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf.         [ Links ]
Meira, M. E. M. (2002). Psicologia Escolar: pensamento crítico e práticas profissionais. Em E. R. Tanamachi, M. Proença, & M. Rocha (Orgs.), Psicologia e Educação: Desafios teórico-práticos (pp. 35-72). (2a ed.). São Paulo: Casa do Psicólogo.         [ Links ]
Mello, S. L. (1978). Psicologia e profissão em São Paulo. São Paulo, Á         [ Links ]tica.
Patto, M. H. S. (1984). Psicologia e Ideologia: uma introdução crítica à Psicologia. São Paulo: T.A.         [ Links ] Queiroz.
Souza, M. P. R., & Checchia, A. K. A. (2003). Queixa escolar e atuação profissional: apontamentos para a formação de psicólogos. Em M. E. M. Meira, & M. Antunes (Orgs.), Psicologia Escolar: Teorias críticas (pp. 105-137). São Paulo: Casa do Psicólogo.         [ Links ]
Tanamachi, E. R. (2000). Mediações teórico-práticas de uma visão crítica em Psicologia Escolar. Em E. R. Tanamachi, M. Proença, & M. Rocha (Orgs.), Psicologia e Educação: Desafios teóricos práticos (pp. 73-104). São Paulo: Casa do Psicólogo.         [ Links ]


Marilene Proença Rebello de Souza 
Doutora e Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.


O Brasil atinge apenas duas das seis metas traçadas pela UNESCO para 2015.

domingo, 23 de agosto de 2015


O Brasil atinge apenas duas das seis metas traçadas pela UNESCO para 2015.

Ola, pessoal.
 Faz tempo que não postamos nada. Estávamos de ferias. 

Voltando a falar de educação no Brasil Nosso pais, ainda esta muito longe de alcançar os objetivos traçados pela  Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que em 2000, traço seis metas para a educação no mundo, a saber


PRIMEIRA META.  Relativa a primeira Infância.

Expandir a educação e os cuidados na primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis. Todas as crianças devem estar amparadas e ter creches.


SEGUNDA META - Educação Primária
Assegurar que, até 2015, todas as crianças,  vivendo em circunstâncias difíceis e as pertencentes a minorias étnicas, tenham acesso à educação primária gratuita, obrigatória e de boa qualidade, ou seja,  proporcionar  educação primária universal.




TERCEIRA META  - Jovens e Adultos
Assegurar que as necessidades de aprendizado de todos os jovens e adultos sejam satisfeitas, por meio de acesso igual a programas apropriados de aprendizagem e de treinamento de habilidades para a vida.




QUARTA META  - Analfabetismo
Alcançar, até 2015, uma redução de 50% de analfabetismo adulto  no mundo especialmente no que se refere às mulheres, bem como acesso equitativo à educação básica e ao longo da vida para todos os adultos. 




QUINTA META  - Meninos e Meninas 


Alcançar a igualdade  de gênero na educação primária e secundária, igualdade visando principalmente garantir que as meninas tenham acesso pleno e igualitário, bem como bom desempenho, na educação primária de boa qualidade.


SEXTA META  - Educação de Qualidade
Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e garantir a excelência de resultados e que estes possam ser mensuráveis e que sejam alcançados por todos, especialmente em alfabetização linguística e matemática e na capacitação de elementos básicos  para a vida. 
Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias
Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias
Siga @Estadao no Twitter




Infelizmente o Brasil, consegui atingir apenas duas das metas traçadas. A segunda meta, crianças que vivem em circunstancias difíceis as  minorias étnicas e crianças marginalizadas, estão na escola fundamental gratuita. E atingiu a quinta meta, ou seja,  houve a igualdade de gênero na educação fundamental, tanto meninos como meninas estão na escola sem diferenciação.Leia Mais:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-cumpre-apenas-2-de-6-metas-de-educacao-fixadas-pela-unesco,1666192
O  Relatório de Monitoramento Global de EPT, afirma  que, no Brasil, há grandes diferenças em oportunidades educacionais e estas estão associadas às disparidades entre meio rural e urbano e principalmente  "desigualdade de empenho e investimento do governo no setor".
Existe aproximadamente apenas 80% das crianças matriculadas na educação infantil, faltam creches e pré-escolas em quase a totalidade dos Estados da União. Continuamos com um grande numero de adultos analfabetos, são cerca de 14 milhões de pessoas. Segundo dados da própria UNESCO o Brasil  possui a oitava maior população de adultos analfabetos no mundo.
O Brasil tem um longo e imenso desafio, talvez os dois  mais urgentes, sejam, a qualificação dos professores e a melhora na infraestrutura,ou seja,  ter escolas em condições de funcionamento adequado e seguras . 
Será que temos condições de melhorar esses índices de analfabetismo, conseguiremos colocar todas as crianças da educação infantil na escola, melhoraremos a qualidade do ensino e da escola? Como fazer isso virar uma realidade.
Espero que cada um de sua contribuição. Faça seu comentário,de sua opinião, assim poderemos crescer juntos e quem sabe transformar esta realidade.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

aula de 28 de Agosto. Historia da Psicologia Escolar no Brasil

Hoje temos um texto retirado da Revista Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010.
Este texto servira de base para nossa aula do dia 28 de Agosto.
Boa leitura


Psicologia escolar no Brasil: considerações e reflexões históricas
School psychology in Brazil: appreciation and historical reflections
Rejane Maria BARBOSA1 Clasy Maria MARINHO-ARAÚJO1
Resumo
O presente artigo apresenta um panorama histórico da psicologia escolar no Brasil desde a transição do século XIX para o XX, com a formação dos primeiros laboratórios de psicologia para estudos de crianças com problemas de aprendizagem, constituídos, principalmente, a partir da influência norte-americana e francesa. Discutem-se, ainda, momentos posteriores de crise, localizados na década de 1980, e a busca por novas bases teórico-metodológicas para a atuação. O artigo está dividido em duas partes: em primeiro lugar, apresentam-se um panorama dos principais fatos históricos e dados de pesquisas acerca das concepções e da atuação em psicologia escolar no cenário brasileiro; posteriormente, discutem-se temas contemporâneos que emergiram a partir de um movimento de ressignificação das práticas de algumas ações que vêm sendo propostas a partir da década de 1990. Unitermos: Psicologia escolar. História da psicologia. Psicólogo educacional.
Abstract
This article presents an historic overview of School Psychology in Brazil covering the transition between the XIX and XX centuries, with the creation of the first psychology laboratories for studies of children with learning difficulties, mainly resulting from the influence of North America and France. The subsequent period of crisis in the 1980s is also discussed,  as is the search for new theoretical and methodological bases for involvement. The article is divided into two parts. First, it presents an overview of the main historical facts and data from research into concepts and involvement in school psychology in the Brazilian setting. Subsequently, contemporary issues are discussed that emerged from a movement towards the re-signification of the practice of certain actions that have been proposed since the 1990s. Uniterms: School psychology. History of psychology. Educacional psychologists.

1 1 1 1 1 Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Laboratório de Psicogênese. Campus Universitário Darcy Ribeiro, ICC Sul, 70900- 910, Brasília, DF, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: C.M. MARINHO-ARAÚJO. E-mail: <claisy@unb.br>.

▼   ▼   ▼   ▼   ▼
Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica sobre a história da psicologia escolar no Brasil, isto é, das construções ocorridas na interface da ciência psicológica com o sistema educacional. Como se verá no decorrer desta exposição, a relação
estabelecida entre psicologia e educação revela-se bastante satisfatória para ambas, uma vez que possuem pontos de interesse convergentes, como, por exemplo, a relação entre desenvolvimento e aprendizagem.
394 394 394 394 394
R.M. BARBOSA & C.M. MARINHO-ARAÚJO
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
O artigo apresenta, na primeira seção, fatos históricos ocorridos a partir do século XIX e reflexões acerca das concepções e formas de atuação em psicologia escolar. Na segunda seção, discutem-se temas contemporâneos que emergiram a partir de um movimento de ressignificação das práticas de trabalho do psicólogo escolar, além de ações que vêm sendo propostas em alguns contextos de trabalho a partir da década de 1990.
A trajetória da psicologia escolar no Brasil
Um dos primeiros movimentos da psicologia escolar no século XIX estava ligado aos trabalhos realizados por Stanley Hall, nos Estados Unidos. Dentre eles, destacam-se a publicação de um artigo no ano de 1882 sob o título: “O conteúdo da mente das crianças quando ingressam na escola”, e o surgimento de clínicas e revistas de divulgação de pesquisas ligadas, principalmente, à área da psicometria e da psicologia experimental (Pfromm Netto, 2001). No cenário europeu, sobressaía a psicologia escolar desenvolvida na França, caracterizada principalmente pela intervenção psicológica junto aos alunos com necessidades escolares especiais e pelos trabalhos desenvolvidos por Alfred Binet, que focalizava, dentre outros objetivos, o desenvolvimento de instrumentos psicométricos capazes de avaliar a inteligência humana (Gomes, 2004). A psicologia escolar norte-americana e a francesa configuraram-se como as duas principais fontes de influência na área por todo o mundo, inclusive no Brasil. A esse respeito, Campos e Jucá (2006, p.37) comentaram: “(a psicologia escolar no Brasil) se configurou menos como ciência experimental, voltada para a pesquisa básica, produção de conhecimentos, e mais como um campo de aplicação na medicina e na educação. Estava voltada para o trabalho técnico, para a implementação das teorias desenvolvidas em países como os Estados Unidos e os da Europa”. Cruces (2006, p.20) destacou que “a psicologia desenvolveu-se no Brasil principalmente para atender problemas da educação, sobretudo a formação de professores”, mas não como área específica de atuação em psicologia escolar (Campos & Jucá, 2006). Nessa
perspectiva, foram criados, em vários estados brasileiros, laboratórios de psicologia ligados às escolas normais, onde eram desenvolvidas pesquisas junto aos alunos com necessidades especiais e dificuldades de aprendizagem (Antunes, 1999). Durante o período de 1889 a 1930, conhecido como República Velha, instrumentos psicológicos na medição e classificação de indivíduos em instituições médicas e educacionais começaram a ser utilizados em grande escala, o que demonstra a influência da psicologia norte-americana, principalmente no que se refere ao trabalho do psicólogo desenvolvido junto às instituições escolares (Cruces, 2006). No início da psicologia escolar no Brasil, evidenciou-se o caráter clínico e terapêutico das intervenções realizadas; vale destacar, nesse sentido, o livro de Franco, datado do ano de 1915 e intitulado “Noções de pedagogia experimental”, que, além de trazer reflexões sobre as capacidades mentais elementares, apresentava definições de retardatários escolares e comentários acerca da educação especial de deficientes visuais e auditivos em consonância com estudos de Binet, Simon e Pestalozzi (Pfromm Netto, 2001). Também no início do século XX, Clemente Quaglio realizou pesquisa sobre deficiência mental em escolares, utilizando instrumento de medição da inteligência desenvolvido por Binet e Simon. Laboratórios de psicologia espalhados pelo país produziram diversas pesquisas com foco na medição do desenvolvimento mental, aprendizagem e maturidade para leitura e escrita por meio de testes (Gomes, 2004). Outros trabalhos, como os realizados pela Seção de Higiene Mental Escolar, subordinada ao Departamento de Educação do Estado de São Paulo, contemplaram o ensino de deficientes mentais e a assistência às “crianças-problema”, mantendo o interesse por temas relacionados às dificuldades de aprendizagem. Porém, se por um lado predominou a concepção clínica e classificatória no tratamento dos problemas de aprendizagem, também estiveram presentes outras concepções que procuravam compreender as relações do indivíduo com o seu contexto social. Dentre os principais representantes de tais ideias, destacaram-se Helena Antipoff, Manoel Bomfim e Aníbal Teixeira (Bock, 1999; Cruces, 2006).
395 395 395 395 395
PSICOLOGIA ESCOLAR NO BRASIL
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
Portanto, a principal característica da atuação em psicologia escolar durante a primeira metade do século XX foi o caráter remediativo com o qual se tratavam os problemas de desenvolvimento e aprendizagem. Esse fato evidencia a forte influência da medicina e a consolidação de uma atuação clínica no trabalho do psicólogo escolar junto aos contextos educacionais, nos quais se privilegiava o enfoque psicométrico por meio da avaliação da prontidão escolar, da organização de classes para alunos considerados especiais, dos diagnósticos e dos encaminhamentos para serviços especializados (Campos & Jucá, 2006; Guzzo, 2001). No âmbito da construção e consolidação da psicologia no cenário brasileiro, os anos de 1960 e 1970, marcados pela movimentação civil em oposição ao regime político, viram acontecer também, dentro da área, reivindicações pela ressignificação da relação da psicologia com a sociedade. Dentre as consequências dessa mobilização está o surgimento de novas áreas de formação e atuação ligadas principalmente à área da saúde e da educação (Campos & Jucá, 2006). Os anos de 1970 também se caracterizaram, no âmbito da educação, pela promulgação da lei nº 5.692/71, que ampliou o sistema educacional e efetivou a expansão da escolaridade obrigatória e gratuita, trazendo mudanças significativas no contexto escolar. O aumento no quantitativo de alunos advindos das mais diversas realidades socioculturais ocasionou dificuldades de adaptação do sistema à nova realidade, tanto em termos de infraestrutura das escolas quanto em termos de concepções e metodologias de aprendizagem adequadas ao novo panorama educacional. Por conseguinte, observou-se um crescimento da demanda de alunos com dificuldades de aprendizagem que extrapolavam o entendimento e as intervenções pedagógicas dos docentes já adaptadas ao antigo contexto (Marinho-Araújo & Almeida, 2005). Diante dessa situação, a psicologia, com seu arcabouço psicométrico e clínico, foi chamada para auxiliar o sistema educacional a fim de se compreenderem as queixas escolares. Tais atividades, específicas do psicólogo, contavam com respaldo científico devido aos critérios de neutralidade, quantificação e classificação, em consonância com a proposta positivista, bastante utilizada na época (Massimi, 1990).
A prática das intervenções acima mencionadas provocou, ao longo das duas décadas seguintes, explicações para o fracasso escolar baseadas nos resultados obtidos por meio de instrumentos de medição da inteligência, atributos afetivos, motores e outros que ora localizavam a problemática no indivíduo, ora relacionavam as dificuldades escolares às condições socioeconômicas e/ou ao ambiente familiar (Collares & Moysés, 1996; Patto, 1999). Porém, ao contrário do que pretendiam os psicólogos - esclarecer as causas e tratar as dificuldades de aprendizagem -, tais intervenções trouxeram prejuízos ao desenvolvimento dos alunos e contribuíram para a passividade dos agentes escolares, uma vez que a ideia de melhora associava-se ao poder de cura delegado à medicina e à psicologia (Campos & Jucá, 2006; Maluf, 2001). Assim, a psicologia alcançou reconhecimento como detentora de um saber que lhe autorizava explicar o fracasso escolar, destinando-se a atribuição de solucionar as queixas escolares, principalmente por meio do atendimento ao aluno (Kupfer, 2004). Fatores como a interação professor-aluno em sala de aula e a diversificação de estratégias de ensino que consideram aspectos peculiares do contexto sociocultural e escolar do aluno continuaram não se configurando como relevantes para a compreensão das dificuldades de aprendizagem. Diante do exposto, constata-se que a relação da psicologia com a educação aconteceu de forma assimétrica, pois aquela explicava os fenômenos e ditava procedimentos de tratamento, contribuindo para processos de categorização, segregação e marginalização do que é considerado “diferente” (Marinho-Araújo & Almeida, 2005; Neves, 2005; 2001). A insatisfação dos psicólogos escolares com sua atuação no final da década de 1970 provocou uma crise que se prolongou pelas duas décadas seguintes. Esse período se caracterizou pela produção de reflexões e pesquisas que evidenciavam os entraves causados por concepções remediativas e circunstanciais aplicadas ao processo educativo, além de repercussões que originaram desestabilização e insegurança na atuação em psicologia escolar, uma vez que os procedimentos convencionais não mais respondiam com eficácia às demandas do contexto.
396 396 396 396 396
R.M. BARBOSA & C.M. MARINHO-ARAÚJO
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
O avanço das discussões propiciou, no final dos anos de 1980 e início da década de 1990, a criação da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), acontecimento importante para a delimitação da área de psicologia escolar. A entidade vem contribuindo, desde então, com a divulgação de reflexões acerca da identidade do psicólogo escolar, dos conhecimentos psicológicos que se aplicam à área e das possibilidades de atuação em espaços educacionais. Vale destacar, ainda, que a partir dos anos de 1990, a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) vem produzindo uma intensa discussão acerca da atuação em psicologia escolar por meio do Grupo de Trabalho (GT) de Psicologia Escolar: pesquisa, formação e prática, que investiga e produz reflexões teóricas e interventivas acerca da psicologia escolar. Uma análise de publicações veiculadas por essas instituições, e ainda de outros trabalhos, explicitou o incômodo com práticas psicológicas discriminatórias e individualizantes no contexto escolar (Almeida, 2002; Cruces, 2006; Kupfer, 2004; Patto, 1999; Senna & Almeida, 2005; Souza, 2004). Dessa forma, tornava-se evidente a necessidade de rever concepções e procedimentos, devendo ocorrer uma mudança na forma como o psicólogo escolar atuava, então baseada em um modelo clínico, que, segundo Souza (2004, p.35): ... é o reflexo de uma visão de mundo que explica a realidade a partir de estruturas psíquicas e nega as influências e/ou determinações das relações institucionais e sociais sobre o psiquismo, encobrindo as arbitrariedades, os esteriótipos e preconceitos de que as crianças das classes populares são vítimas no processo educacional e social. A literatura produzida a partir de 1990 trazia, ainda, muitas publicações acerca das concepções que embasaram a atuação da psicologia escolar no século XX e a necessidade de ressignificação de suas práticas. Dentre os temas, encontravam-se discussões acerca da adoção de uma postura crítica e comprometida com o desenvolvimento social e com a inclusão por parte do psicólogo escolar (Campos, Lopes, Onofre, Alexandre & Silva, 2005; Guzzo, 2005; Souza, 2004;); da atuação do psicólogo escolar como membro efetivo do contexto educacional (Araújo, 2003; Marinho-Araújo & Almeida, 2005; Neves & Almeida, 2006); das reflexões sobre a
formação e a atuação do psicólogo escolar na sociedade atual (Mira, Tardin & Pedroza, 2005). Recentemente, a partir do ano 2000, observou-se o avanço da discussão teórica acerca da atuação do psicólogo escolar. Dentre os temas contemplados estão a atuação institucional, a participação do psicólogo escolar na formação de professores e na elaboração do projeto político pedagógico da escola e experiências de estágios baseadas em metodologias de pesquisa-ação, por exemplo. Tais trabalhos buscaram uma articulação maior da psicologia com o contexto da escola, demarcando novos focos de intervenção na área (Araújo, 2003; Guzzo, 2001; Guzzo & Weschler, 2001; Marinho-Araújo, 2007; Marinho-Araújo & Neves, 2007; Martínez, 2006; 2007; Neves, 2001; 2007; Novaes, 2001). Acerca da atuação da psicologia escolar no cenário brasileiro contemporâneo, Cruces (2006) ressaltou que, em locais como o Distrito Federal, a psicologia escolar dispõe de uma organização mais estruturada, com psicólogos escolares atuando em equipes multidisciplinares de atendimento e apoio ao processo de aprendizagem na rede de ensino público. Esses profissionais contam, ainda, com formação continuada oferecida pela Universidade de Brasília desde 1995 (Araújo & Almeida, 2006; Marinho-Araújo & Almeida, 2005; Marinho-Araújo & Neves, 2007; Neves & Almeida, 2006). Entretanto, a autora destacou, também, a realidade na maioria dos demais estados brasileiros, que é bastante diferente: “ainda nos defrontamos também com práticas avaliadoras e classificatórias e somos cobrados para desempenhar este papel em grande parte das instituições educacionais que frequentamos” (Cruces, 2006, p.28). Com relação a esse assunto, Rossi e Paixão (2006) desenvolveram pesquisa no Distrito Federal com o objetivo de verificar qual a representação social de professores e psicólogos escolares acerca da atuação da psicologia na escola. Os resultados revelaram que, apesar da frequência maior de psicólogos escolares em muitas escolas da rede pública, os professores ainda associavam a atuação psicológica a um trabalho predominantemente clínico e individualizado. Já para os psicólogos escolares, o trabalho relacionava-se mais a questões de prevenção e de desenvolvimento do coletivo (Rossi & Paixão, 2006). Outra investigação, realizada no Rio Grande do Norte por Campos e Jucá (2006), a respeito das deman
397 397 397 397 397
PSICOLOGIA ESCOLAR NO BRASIL
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
das do mercado para o psicólogo escolar concluiu que, para professores e diretores, a psicologia escolar está vinculada à resolução dos problemas apresentados pelos alunos a partir de um atendimento individualizado. Acredita-se que a discrepância de opiniões acerca do papel da psicologia escolar se deva ao percurso da psicologia desde seu surgimento até os dias atuais. São muitas as divergências externas e internas à própria área da psicologia escolar. Diante dessa constatação, vale destacar algumas temáticas centrais que vêm ajudando a delinear novas possibilidades de atuação, como as definições de psicologia escolar e psicologia educacional, lócus de atuação do psicólogo escolar e novas possibilidades de ação junto à escola.
Reflexões em psicologia escolar na atualidade
Como assinalado na seção anterior, a psicologia escolar atravessa uma fase de questionamento acerca da sua atuação, na qual convivem intervenções divergentes; algumas que ainda se coadunam com concepções predominantes na primeira metade do século XX e outras que, de forma inovadora, procuram estabelecer novas ações ao psicólogo escolar junto ao contexto educacional (Campos & Jucá, 2006; Cruces, 2006). A esse respeito, Maluf (2001, p.65) afirmou: É preciso reconhecer que a psicologia convive, neste início de um novo século, com paradigmas diversos inspirados por diferentes concepções do real ... convivemos com profundas discordâncias a respeito do estatuto do saber científico. Este é, em nosso entender, um dos muitos desafios que enfrenta o psicólogo e mais especificamente o psicólogo que trabalha no campo da educação. Também Marinho-Araújo e Almeida (2005, p.69) destacaram: “É momento da psicologia escolar intensificar reflexões na busca de maior criticidade à sua formação e atuação, diante de um cenário político-econômico que agudiza, ainda que de forma cada vez mais sutil, o controle social e as graves desigualdades que se configuram no panorama histórico atual”. Em consonância com essas afirmações, verificou-se a necessidade de refletir sobre algumas construções teórico-metodológicas atuais, sinalizadas no final da seção anterior, acerca da definição da psicologia e seu trabalho na interface com a educação e ainda so
bre outros assuntos referentes ao lócus de atuação do psicólogo escolar e formas de intervenção no contexto educacional. Uma primeira questão refere-se à divergência de entendimento sobre os termos psicologia escolar e psicologia educacional. Para alguns estudiosos, trata-se de áreas com especificidades distintas: uma relacionada à produção de conhecimentos psicológicos que se direcionam à educação, e outra, à aplicação dessas construções teóricas junto à comunidade escolar. De acordo com Martinez (2006), a psicologia escolar é a expressão da psicologia no âmbito educacional, com predominância da aplicação dos saberes psicológicos no processo educativo e, ocasionalmente, com produção científica. Em seu próprio relato: “consideramos a psicologia escolar como um campo de atuação profissional do psicólogo (e eventualmente de produção científica) caracterizado pela utilização da psicologia no contexto escolar, com o objetivo de contribuir para otimizar o processo educativo” (Martinez, 2006, p.107). Nessa perspectiva, destacaram-se, por exemplo, os trabalhos de participação do psicólogo escolar na elaboração e implantação da proposta pedagógica da instituição escolar. A autora localizou, no desenvolvimento dessa atividade, a aplicação de várias funções específicas do profissional de psicologia, como o trabalho de assessoria psicológica para planejamento, intervenção e avaliação do projeto político-pedagógico (Martínez, 2006). Outras reflexões da autora relacionaram a atuação do psicólogo escolar ao desenvolvimento da criatividade na escola, verificando como os conhecimentos produzidos a partir da investigação psicológica podem contribuir para uma prática educativa mais produtiva para a formação, nos alunos, das capacidades e características necessárias para desempenho criativo em seus diferentes contextos de atuação, presentes e futuros (Martínez, 2001). Algumas construções teóricas discutem as consequências da separação da psicologia escolar e da psicologia educacional em duas áreas profissionais distintas: uma de aplicação do saber psicológico à realidade e outra de produção teórica de conhecimentos psicológicos aplicados à educação. A esse respeito, Marinho
398 398 398 398 398
R.M. BARBOSA & C.M. MARINHO-ARAÚJO
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
-Araújo & Almeida (2005, p.18) comentaram: “... a distinção desses termos (psicologia escolar e psicologia educacional) gera compreensões estanques tanto do exercício profissional do psicólogo na escola, quanto das inúmeras elaborações teóricas necessárias à prática profissional”. De acordo com tais considerações, o entrelaçamento da psicologia escolar com a psicologia educacional, numa perspectiva de produção e aplicação de conhecimento, coaduna-se com uma proposta de imersão do psicólogo escolar pesquisador como membro efetivo no espaço educacional. Tal situação favorece a compreensão das influências sociais, econômicas, culturais e outras no espaço escolar e o entendimento acerca das relações interpessoais entre os atores da escola, instigando o desenvolvimento de pesquisas e a construção de intervenções adequadas à necessidade de cada instituição (Almeida, 2002; Araújo, 2003; Araújo & Almeida, 2006; Marinho-Araújo & Almeida, 2005; Marinho-Araújo & Neves, 2007). Em acordo com essas proposições, Marinho-Araújo & Almeida (2005, p.88) defenderam: Para assegurar o enfrentamento do desafio da construção dinâmica desse perfil, defende-se que o profissional de psicologia precisa estar inserido na instituição escolar como membro efetivo desse universo e não mais como “especialista” que presta eventuais consultorias quando emergem problemas circunstanciais. A partir dessa tese, as autoras apresentaram diversas possibilidades de intervenção que contemplaram uma atuação institucional e relacional, baseada na participação do psicólogo escolar no cotidiano da escola, para que ele pudesse compreender mais adequadamente os valores e juízos que os atores da escola fazem acerca das situações de sucesso e de fracasso no processo de ensino-aprendizagem e nas interações socioafetivas. Nessa perspectiva de inserção do psicólogo no contexto escolar, a atuação contempla uma intervenção que permite conhecer substancialmente o contexto educativo por meio da compreensão dos aspectos intersubjetivos presentes na escola. Esse processo se torna possível por meio da escuta clínica e da realização de um mapeamento institucional, que propiciam uma investigação aprofundada dos documentos e diretrizes
que orientam as práticas pedagógicas, a dinâmica de trabalho do grupo de professores e demais funcionários, a gestão desenvolvida pela direção da escola, a inter-relação de professores, alunos e pais, entre outros aspectos (Marinho-Araújo & Almeida, 2005). A partir da compreensão do contexto escolar, o psicólogo poderá fazer intervenções em espaços coletivos existentes na escola, conselhos de classe, coordenações de professores, reuniões bimestrais de pais e mestres, além de criar outros espaços de discussão, como grupos de professores nos quais seja possível a reflexão sobre as práticas pedagógicas, estudos de caso e aspectos intersubjetivos que permeiam o trabalho da instituição (Almeida, 2001; Araújo, 2003). Ainda no âmbito da atuação psicológica no contexto escolar, destaca-se o trabalho desenvolvido por Neves (2001), cuja intervenção nas situações de queixa escolar privilegiou a comunicação com professores e pais. A autora elaborou um sistema de atendimento denominado Procedimentos de Avaliação e Intervenção das Queixas Escolares (PAIQUE) que propunha uma escuta e intervenção psicológica, em primeiro lugar, para o sujeito que demandou a queixa, geralmente o professor, e, caso necessário, seriam seguidos outros passos que preveem o envolvimento dos pais e posteriormente do aluno. A avaliação da intervenção realizada pela autora em 1999, utilizando seu modelo junto ao serviço de atendimento psicopedagógico da Secretaria de Educação do Distrito Federal, alcançou um índice de satisfação equivalente a 81,25% do total de professoras participantes da nova forma de intervenção nas queixas escolares. Constatou-se, também, que, na maioria dos casos, o atendimento psicológico às queixas escolares findava-se no primeiro nível de intervenção, isto é, no atendimento ao professor (Neves & Almeida, 2006). De acordo com as considerações supracitadas, a psicologia escolar passa a ser entendida numa perspectiva relacional e institucional, uma vez que considera para além do atendimento individualizado a alunos com dificuldades de aprendizagem a compreensão do funcionamento da instituição, considerando de que forma a complexa rede de interações no âmbito da instituição contribui ou não para a situação de queixa escolar (Araújo & Almeida, 2006).
399 399 399 399 399
PSICOLOGIA ESCOLAR NO BRASIL
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
A atuação do psicólogo escolar, compreendida dessa forma, implica o desenvolvimento de sua identidade profissional a partir da mobilização dos conhecimentos técnicos, características pessoais, experiências profissionais e outros fatores presentes na constituição subjeiva. Assim, faz-se necessário que o psicólogo escolar esteja comprometido com o desenvolvimento dos sujeitos, atores e autores do contexto escolar, podendo utilizar, segundo as autoras, a abordagem de competências na mediação desse desenvolvimento. A respeito da promoção do desenvolvimento de novas habilidades e recursos que favoreçam a atuação do psicólogo escolar, Araújo (2003, p.72) observou: “Defende-se ... que a identidade profissional do psicólogo escolar receba o suporte de uma capacitação continuada em serviço, com o foco no desenvolvimento de competências específicas que visem a uma atuação mais segura, sistematizada e fundamentada na instituição escolar”. Convivem, entretanto, no cenário atual da psicologia escolar concepções divergentes no que se refere à atuação e ao lugar do psicólogo escolar no interior da instituição educacional, como se posicionou Souza (2004, p.157): Trata-se da discussão a respeito do locus do trabalho psicológico no campo da educação. ... Nessa perspectiva, o focus do trabalho seria a instituição escolar e o locus centrava-se em uma atuação profissional em que o psicólogo desempenharia o papel de assessor na escola e não como psicólogo da escola onde trabalhasse, subordinado à direção escolar. De acordo com as proposições acima, o serviço de psicologia escolar do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo vem desenvolvendo intervenções em creches, na pré-escola e em turmas de séries iniciais com o objetivo de combater o fracasso escolar (Machado, 2004; Sayão & Guarido, 2004), bem como trabalhando na criação e manutenção de espaços terapêuticos para o desenvolvimento infantil, como o “Lugar de Vida” (Kupfer, 2004). Destacam-se, também, as produções científicas veiculadas na revista semestral da ABRAPEE, intitulada “Psicologia Escolar e Educacional”, criada em 1996, e os boletins eletrônicos disponíveis a partir do ano de 2004. Dentre os principais temas, encontram-se trabalhos ligados ao desenvolvimento de aptidões, traços de personalidade, estudos de escalas e validação de testes psico
métricos. Outros artigos destacam as relações que ocorrem no contexto educacional e suas implicações para o processo de aprendizagem. Dentre os assuntos frequentemente veiculados na referida revista, há aqueles que se referem à criatividade e às altas habilidades no contexto educativo (Matos & Fleith, 2006; Mariani & Alencar, 2005), à psicologia no ensino superior (Cunha & Carrilho, 2005; Serpa & Santos, 2001), e à relação entre aspectos diversos do contexto educacional (Dalsan, 2007), entre outros. Também a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia, particularmente pelo empenho do Grupo de Trabalho Psicologia Escolar/Educacional, constituído em 1994, tem promovido uma densa reflexão acerca da interface da psicologia com a educação. O grupo é composto por professores vinculados a universidades brasileiras que desenvolvem pesquisas e estudos. As investigações desse GT nutrem o debate articulado da teoria com a realidade, que ocorre principalmente a cada dois anos por ocasião dos Simpósios da Associação, gerando publicações dos temas apresentados. Os livros reúnem concepções teórico-metodológicas diversas sobre a psicologia escolar/educacional e abarca um amplo espectro de trabalhos na área. Os temas predominantes são a atuação e a formação de psicólogos, correspondendo a mais da metade dos trabalhos publicados (Guzzo, 2002; Marinho-Araújo, 2007; Marinho-Araújo & Neves, 2007; Martinez, 2007; Neves, 2007; Senna & Almeida, 2005). Comparecem, também, assuntos como o ensino especial/inclusão (Anache, 2007; Araújo & Campos, 2007), criatividade (Martínez, 2001; Novaes, 2001), história da psicologia escolar (Cruces, 2006; Pfromm Neto, 2001) e  psicologia escolar em contextos educativos diversos (Mira, Tardin & Pedroza, 2005; Novaes, 2002). Ainda a respeito das discussões veiculadas nas publicações da ANPEPP, encontram-se, frequentemente, aquelas que tratam do compromisso do psicólogo escolar com questões sociopolíticas. Guzzo (2005) comentou os aspectos sociopolítico-econômicos que interferem no contexto escolar, como, por exemplo, a relevância dada ao mercado em detrimento da pessoa, o que se torna, na maioria das vezes, apenas um meio de multiplicação do capital. A esse respeito, destacou:
400 400 400 400 400
R.M. BARBOSA & C.M. MARINHO-ARAÚJO
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
“A mercadoria se reveste de valor e a pessoa perde a importância - passa a ser considerada somente na medida em que possui bens” (Guzzo, 2006, p.18). Campos et al. (2005) defenderam a criação de espaços para a atuação do psicólogo escolar nos sistemas de ensino público em consonância com outros profissionais que se engajem num pleito pelo combate à violência dentro das escolas, mantendo, assim, um compromisso com a discussão política educacional. Outros trabalhos procuraram discutir o papel da psicologia escolar na interface da inclusão e o cumprimento dos direitos humanos na escola, questionando de que forma a atuação psicológica poderia contribuir com a investigação de situações de sofrimento e segregação de pessoas portadoras de necessidade especiais (Anache, 2005; 2007). Como se percebe, a trajetória da psicologia escolar, desde os seus primórdios ligados principalmente a uma concepção remediativa e classificatória, passando por momentos de crise diante da atuação e pela busca pela ressignificação da identidade do psicólogo escolar mediante as demandas sociais, expressa a construção de uma trama teórico-metodológica marcada por características culturais, econômicas e políticas específicas de cada época. Esse fato demonstra a necessidade de ressignificação histórica e periódica das proposições defendidas e das ações empreendidas. Ao finalizar essa revisão de literatura, bem como as reflexões empreendidas acerca da relação da psicologia com a educação, verificou-se que o contexto atual configura-se como um novo momento da psicologia escolar. Passada a fase mais intensa da crise, novas opções de atuação começam a surgir e o papel do psicólogo escolar é compreendido de forma bastante independente do papel do psicólogo clínico, isto é, uma identidade específica começa a ser consolidada. A busca pela ressignificação das concepções de intervenção e das práticas do psicólogo escolar com vistas à realização de um serviço que procure trabalhar não mais na remediação das dificuldades de aprendizagem, mas na reflexão, contribuindo, assim, para a transformação do espaço escolar em local de valorização do ser humano, responde a questionamentos e alenta os incômodos. Entretanto, abre espaço a novos desafios e propõe a continuação da tecitura da história da psicologia escolar.
Referências
Almeida, S. F. C. (2002). O psicólogo no cotidiano da escola: re-significando a atuação profissional. In R. S. L. Guzzo (Org.), Psicologia escolar: LDB e educação hoje (pp.77-90). Campinas: Alínea. Almeida, S. F. C. (2001). O psicólogo escolar e os impasses da educação: implicações da(s) teoria(s) na atuação profissional. In Z. A. P. Del Prette (Org.), Psicologia escolar e educacional, saúde e qualidade de vida: explorando fronteiras (pp.43-57). Campinas: Alínea. Anache, A. A. (2007). A pessoa com deficiência mental entre os muros da educação. In H. R. Campos (Org.), Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp.213-243). Campinas: Alínea. Anache, A. A. (2005). O psicólogo nas redes de serviços de educação especial - desafios em face da inclusão In A. M. Martínez (Org.), Psicologia escolar e compromisso social: novos discursos, novas práticas. Campinas: Alínea. Antunes, M. A. M. (1999). A Psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição. São Paulo: PUC. Araújo, C. M. M. (2003). Psicologia escolar e o desenvolvimento de competências: uma opção para a capacitação continuada. Tese de doutorado não-publicada, Universidade de Brasília. Araújo, C. M. M., & Almeida, S. F. C. (2006). Psicologia escolar institucional: desenvolvendo competências para uma atuação relacional. In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional (pp.59-82). Campinas: Alínea. Araújo, E. R. & Campos, H. R. (2007). Como estranhos no ninho: o jeito diferente de viver das pessoas com a síndrome de asperger. In H. R. Campos (Org.), Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp.245259). Campinas: Alínea. Bock, A. M. B. (1999). A Psicologia a caminho do novo século: identidade profissional e compromisso social. Estudos Psicologia (Natal), 4 (2), 315-329. Recuperado em março 30, 2006, disponível em: http: www.scielo.br/epsic Campos, H. R. & Jucá, M. R. B. L. (2006). O psicólogo na escola: avaliação da formação à luz das demandas do mercado. In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional (pp.37-56). Campinas: Alínea. Campos, H. R., Lopes, A. C., Onofre, M. H. L, Alexandre, L. B. G., & Silva, F. V. C. (2005). Violência na escola: o psicólogo escolar na fronteira da política educacional. In A. M. Martínez (Org.), Psicologia escolar e compromisso social: novos discursos, novas práticas (pp.31-46). Campinas: Alínea. Collares, C. A. L., & Moysés, M. A. A. (1996). Preconceitos no cotidiano escolar: ensino e medicalização. São Paulo: Cortez. Cruces, A. V. V. (2006). Psicologia e educação: nossa história e nossa realidade In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional (pp.17-36). Campinas: Alínea.
401 401 401 401 401
PSICOLOGIA ESCOLAR NO BRASIL
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010
Cunha, S. M., & Carrilho, D. M. (2005).  O processo de adaptação ao ensino superior e o rendimento acadêmico. Revista de Psicologia Escolar e Educacional, 9 (2), 215-224. Dalsan, J.  (2007). O enfrentamento do fracasso escolar numa escola pública: análise crítica na perspectiva do cotidiano escolar. Boletim Eletrônico 6. Recuperado em abril 12, 2010, disponível em http://www.abrapee. psc. br/boletim6.htm Gomes, W. B. (2004). Avaliação psicológica no Brasil: tests de Medeiros e Albuquerque. Avaliação Psicológica, 3 (1), 59-68. Guzzo, R. S. L. (2001). Saúde psicológica, sucesso escolar e eficácia da escola: desafios do novo milênio para a psicologia escolar. In Z. A. P. Del Prette (Org.), Psicologia escolar e educacional, saúde e qualidade de vida: explorando fronteiras (pp.25-42). Campinas: Alínea. Guzzo, R. S. L. (2002). Novo paradigma para a formação e atuação do psicólogo escolar no cenário educacional brasileiro. In R. S. L. Guzzo (Org.), Psicologia escolar: LDB e educação hoje (pp.131-144). Campinas: Alínea. Guzzo, R. S. L. (2005). Escola amordaçada: compromisso do psicólogo com este contexto. In A. M. Martínez (Org.), Psicologia escolar e compromisso social: novos discursos, novas práticas (pp.17-29). Campinas: Alínea. Guzzo, R. S. L. (2006). Educação para a liberdade, psicologia da libertação e psicologia escolar: uma práxis para a liberdade. In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional (pp.169-178). Campinas: Alínea. Guzzo, R. S. L., & Wechsler, S. M. (2001). O psicólogo escolar no Brasil: padrões, prática e perspectivas. In R. S. Lobo (Org.), Psicologia escolar: padrões e práticas em países de língua espanhola e portuguesa (pp.39-46). Campinas: Átomo. Kupfer, M. C. M. (2004). O que toca à/a psicologia escolar. In A. M. Machado & M. P. R. Souza (Orgs.), Psicologia escolar: em busca de novos rumos (pp.55-65). São Paulo: Casa do Psicólogo. Machado, A. M. (2004). Relato de uma intervenção na escola pública. In A. M. Machado & M. P. R. Souza (Orgs.), Psicologia escolar: em busca de novos rumos (pp.93-106). São Paulo: Casa do Psicólogo. Maluf, M. R. (2001). O psicólogo escolar e a educação: uma prática em questão. In Z. A. P. Del Prette (Org.), Psicologia escolar e educacional, saúde e qualidade de vida: explorando fronteiras (pp.59-71). Campinas: Alínea. Mariani, M. F. M., & Alencar, E. M. L. S. (2005). Criatividade no trabalho docente segundo professores de história: limites e possibilidades. Revista de Psicologia Escolar e Educacional, 9 (1), 27-36. Marinho-Araújo, C. M. (2007). A psicologia escolar nas diretrizes curriculares: espaços criados, desafios instalados. In H. R. Campos (Org.), Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp.17-48). Campinas: Alínea. Marinho-Araújo, C. M., & Almeida, S. F. C. (2005). Psicologia escolar: construção e consolidação da identidade profissional. Campinas: Alínea.
Marinho-Araújo, C. M., & Neves, M. M. B. J. (2007). Psicologia Escolar: perspectivas e compromissos na formação continuada. In H. R. Campos (Org.), Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp.49-67). Campinas: Alínea. Martínez, A. M. (2001). La interrelación entre investigación psicológica y práctica educativa: um análisis crítico a partir del campo de la creatividad. In Z. A. P. Del Prette (Org.), Psicologia escolar e educacional, saúde e qualidade de vida: explorando fronteiras (pp.87-112). Campinas: Alínea. Martínez, A. M. (2006). O psicólogo na construção da proposta pedagógica da escola: áreas de atuação e desafios para a formação. In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional (pp.105-124). Campinas: Alínea. Martínez, A. M. (2007). O psicólogo escolar e os processos de implantação de políticas públicas: atuação e formação. In H. R. Campos (Org.), Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp.109-133). Campinas: Alínea. Massimi, M. (1990). História da psicologia brasileira. São Paulo: Pedagógica e Universitária. Matos, D. R., & Fleith, D. S. (2006). Criatividade e clima criativo entre alunos de escolas abertas, intermediárias e tradicionais. Revista de Psicologia Escolar e Educacional, 10 (1), 109-120. Mira, M. H. N., Tardin, R. M. M., & Pedroza, E. M. (2005). Alternativas de atuação da psicologia escolar junto à terceira idade. In A. M. Martínez (Org.), Psicologia escolar e compromisso social: novos discursos, novas práticas (pp.95-114). Campinas: Alínea. Neves, M. B. J. (2001). A atuação da psicologia nas equipes de atendimento psicopedagógico da rede pública de ensino do Distrito Federal. Tese de doutorado não-publicada, Universidade de Brasília. Neves, M. M. B. J. (2005). Por uma psicologia escolar inclusiva. In A. M. Machado, A. J. V. Neto, M. M. B. J. Neves, M. V. O. Silva, R. G. Prieto, W. Rannã & E. Abenhaim (Orgs.), Educação inclusiva: direitos humanos na escola (pp.107123). São Paulo: Casa do Psicólogo. Neves, M. M. B. J. (2007). Formação inicial em psicologia escolar. In H. R. Campos (Org.), Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp.49-67). Campinas: Editora Alínea. Neves, M. M. B. J., & Almeida, S. F. C., (2006). A atuação da psicologia escolar no atendimento aos alunos encaminhados com queixas escolares. In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional (pp.83-103). Campinas: Alínea. Novaes, M. H. (2001). Modelos interpretativos da criatividade e alternativas de atuação psicossocioeducativa. In Z. A. P. Del Prette (Org.), Psicologia escolar e educacional, saúde e qualidade de vida: explorando fronteiras (pp.75-86). Campinas: Editora Alínea. Novaes, M. H. (2002). A convivência em novos espaços e tempos educativos. In R. S. L. Guzzo (Org.), Psicologia
402 402 402 402 402
R.M. BARBOSA & C.M. MARINHO-ARAÚJO
Estudos de Psicologia I Campinas I 27(3) I 393-402 I julho - setembro 2010

domingo, 23 de agosto de 2015

O Brasil atinge apenas duas das seis metas traçadas pela UNESCO para 2015.

Ola, pessoal.
 Faz tempo que não postamos nada. Estávamos de ferias. 

Voltando a falar de educação no Brasil Nosso pais, ainda esta muito longe de alcançar os objetivos traçados pela  Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que em 2000, traço seis metas para a educação no mundo, a saber


PRIMEIRA META.  Relativa a primeira Infância.

Expandir a educação e os cuidados na primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis. Todas as crianças devem estar amparadas e ter creches.

SEGUNDA META - Educação Primária
Assegurar que, até 2015, todas as crianças,  vivendo em circunstâncias difíceis e as pertencentes a minorias étnicas, tenham acesso à educação primária gratuita, obrigatória e de boa qualidade, ou seja,  proporcionar  educação primária universal.



TERCEIRA META  - Jovens e Adultos
Assegurar que as necessidades de aprendizado de todos os jovens e adultos sejam satisfeitas, por meio de acesso igual a programas apropriados de aprendizagem e de treinamento de habilidades para a vida.



QUARTA META  - Analfabetismo
Alcançar, até 2015, uma redução de 50% de analfabetismo adulto  no mundo especialmente no que se refere às mulheres, bem como acesso equitativo à educação básica e ao longo da vida para todos os adultos. 



QUINTA META  - Meninos e Meninas 


Alcançar a igualdade  de gênero na educação primária e secundária, igualdade visando principalmente garantir que as meninas tenham acesso pleno e igualitário, bem como bom desempenho, na educação primária de boa qualidade.

SEXTA META  - Educação de Qualidade
Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e garantir a excelência de resultados e que estes possam ser mensuráveis e que sejam alcançados por todos, especialmente em alfabetização linguística e matemática e na capacitação de elementos básicos  para a vida. 
Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias
Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias
Siga @Estadao no Twitter




Infelizmente o Brasil, consegui atingir apenas duas das metas traçadas. A segunda meta, crianças que vivem em circunstancias difíceis as  minorias étnicas e crianças marginalizadas, estão na escola fundamental gratuita. E atingiu a quinta meta, ou seja,  houve a igualdade de gênero na educação fundamental, tanto meninos como meninas estão na escola sem diferenciação.Leia Mais:http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-cumpre-apenas-2-de-6-metas-de-educacao-fixadas-pela-unesco,1666192
O  Relatório de Monitoramento Global de EPT, afirma  que, no Brasil, há grandes diferenças em oportunidades educacionais e estas estão associadas às disparidades entre meio rural e urbano e principalmente  "desigualdade de empenho e investimento do governo no setor".
Existe aproximadamente apenas 80% das crianças matriculadas na educação infantil, faltam creches e pré-escolas em quase a totalidade dos Estados da União. Continuamos com um grande numero de adultos analfabetos, são cerca de 14 milhões de pessoas. Segundo dados da própria UNESCO o Brasil  possui a oitava maior população de adultos analfabetos no mundo.
O Brasil tem um longo e imenso desafio, talvez os dois  mais urgentes, sejam, a qualificação dos professores e a melhora na infraestrutura,ou seja,  ter escolas em condições de funcionamento adequado e seguras . 
Será que temos condições de melhorar esses índices de analfabetismo, conseguiremos colocar todas as crianças da educação infantil na escola, melhoraremos a qualidade do ensino e da escola? Como fazer isso virar uma realidade.
Espero que cada um de sua contribuição. Faça seu comentário,de sua opinião, assim poderemos crescer juntos e quem sabe transformar esta realidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ola Pessoal.
Esta semana, temos uma reportagem do Correio Brasiliense sobre a evolução do ser humano e o amor. Vamos dar uma olhada.

 • CORREIOBRAZILIENSE • Brasília, domingo, 28 de junho de 2015
» ISABELA DE OLIVEIRA

A evolução do amor

Pesquisadora americana argumenta que o sentimento é resultado da seleção natural,uma estratégia desenvolvida ao longo de milhões de anos que ajuda a espécie humana a cuidar da prole e garantir a continuidade da vida. Especialistas argumentam que é impossível explicar a afetividade de maneira tão simples

Trovadores do século 12, teólogos, poetas, cientistas...Não é pequena a lista dos que tentaram, em
vão, dar a resposta definitiva à pergunta “o que é o amor?”.Mas, ainda que pareça inalcançável, a busca por uma explicação não cessa. Para uma corrente de pesquisadores, a compreensão desse sentimento está no passado muito, muito distante. Segundo esses cientistas, de romântico, o amor não
tem nada. Seria, na verdade, uma espécie de vício natural, desenvolvido ao longo da evolução e surgido para motivar os primeiros hominídeos a concentrar  em energia em um  único  parceiro.
A estratégia monogâmica adotada por esses ancestrais se mostrou eficaz  para proteger o casal e a prole, e a tendência ao enlace amoroso foi transmitida geneticamente de geração em geração, como resultado da seleção natural, até os dias de hoje.  O  sentimento de forte apego é uma estratégia de sobrevivência humana, que une duas pessoas  e as torna, assim, mais capazes de garantir a continuidade da espécie.
Helen Fischer, professora de antropologia e pesquisadora do comportamento humano na Rutgers University, nos Estados Unidos, é uma das figuras mais expressivas dessa corrente. Em um artigo publicado recentemente na revista especializada Behavioral Addictions, ela argumenta que, em  sua longa história, o cérebro humano desenvolveu três sistemas, espécies de impulsos, que motivam a união e a reprodução: desejo sexual/libido, atração ou amor romântico e sentimentos de longo prazo voltados a um parceiro.
O“amor romântico”, como ela denomina, poderia ter início a partir de qualquer um desses componentes. Algumas pessoas começam pelo interesse sexual e, depois, se apaixonam. Outras
são arrebatadas pelo sentimento antes, mesmo sem se envolverem fisicamente.
E existem aquelas que, inicialmente, mantêm um relacionamento profundo de amizade e demoram meses ou anos para se darem conta de que a cara metade está ao lado.
Savana Segundo pesquisas conduzidas por Fischer, tais sistemas podem ter se desenvolvido em qualquer momento da evolução dos hominídeos, mas é bem provável que tenham surgido por volta
de 4 milhões de anos atrás, quando os primeiros representantes das linhagens que dariam origem ao homem começaram a se diferenciar dos outros primatas.
Provavelmente, isso ocorreu  quando ancestrais como o Ardipithecus ramidus e o Australopithicus afarensis passaram a habitar os campos abertos das savanas e ficaram mais expostos a  ameaças (leia infografia acima).
A psicóloga Ana Lucia Braz, professora da Universidade Anhanguera de São Paulo, unidade Santo André, explica que o bipedalismo (deslocamento sobre dois membros apenas) e a verticalização
de postura foram essenciais para o desenvolvimento do amor. Ao ficarem em pé, mãos foram liberadas da locomoção, assim como o maxilar da tarefa de segurar coisas. A mudança de postura alterou a forma como machos e fêmeas se relacionavam. Induziu, por exemplo, à copulação frontal, isto é, casais mantendo relacionamentos sexuais face a face.
Essa postura, no entanto, é um indicativo de fragilidade, visto que áreas vitais, como tórax, pescoço e coração, ficaram desprotegidas, tornando o sexo muito mais do que um meio de reprodução, mas também um ato de confiança.  Braços livres permitiram que abraços, antes restritos a mães e filhotes,
fossem parte do coito. Houve a valorização dos rostos, que se tornaram únicos. Olhos e boca tornam-se elementos eróticos, pois, frente a frente, os ancestrais humanos descobriram o beijo. Citando as pesquisas do antropólogo EdgarMorin, “de forma simbólica e arcaica, significava a ‘troca de almas’”,
diz Braz, autora do livro O significado e a importância do amor—Um estudo fenomenológico (Casa do Novo Autor). 
Aprendizagem ao longo do processo, a atração e a relação sexual tornaram-se mais frequentes, não se limitando às épocas de cio. A professora pondera, entretanto, que, ainda que a capacidade de se unir
ao outro tenha bases biológicas, reações  orgânicas, por si só, não promovem a afetividade humana. “Ela necessita de um processo de aprendizagem para colocá-la em ação. Portanto, é composta por  aspectos biológicos, sociais e psíquicos”, acrescenta a especialista.“A natureza, sozinha, não controla o homem.” Braz, portanto, não limita o sentimento a uma  estratégia biológica de reprodução.
O amor sexual, ela explica, é apenas um tipo de expressão desse sentimento, que envolve a existência
da vida em grupo, a socialização, o amor materno e fraternal, entre tantos outros. O fato de muitos casais modernos se unirem sem o objetivo de gerar filhos poderia colocar vírgulas nas teorias da motivação reprodutivas. Mas uma coisa não exclui a outra. “Ofato de não se desejar um filho não significa que não exista amor, pois pode ser uma escolha pessoal, histórica ou econômica”, analisa a especialista.
O paleoantropólogo André Strauss, do InstitutoMax Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, diz que, como qualquer outra hipótese, a de  Helen Fischer tem pontos fortes e fracos. “ O  problema
reside na escolha que ela fez de como abordar esse tema.Tenho certeza de que não foi algo intencional, mas usar o termo‘amor romântico’ ajuda a tornar suas pesquisas mais midiáticas, mas, ao
mesmo tempo, cria barreiras para uma discussão interdisciplinar”, pontua.
Cultura
A observação de Strauss é o sinal de que, por mais que a teoria de especialistas como Helen Fischer pareça fazer muito sentido, o amor—e qualquer sentimento e comportamento humanos—recusa explicações simples. O paleoantropólogo lembra que a história e a sociologia mostram como a ideia
de amor romântico, assim como o conceito de infância, é uma construção da sociedade ocidental burguesa. “As anedotas que Fischer usa para estender a ocorrência de ‘amor romântico’ para caçadores-coletores na África e bonobos não são evidências de nada além de uma transferência injustificável que desafiaria o mais competente dos psicanalistas.
Uma dose de antropologia cultural seria bem-vinda para ponderar  essa narrativa”, critica o brasileiro.
Ele acrescenta, contudo, que nem todo o trabalho da pesquisadora norte americana é falho. Por exemplo, para ele, Fischer faz contribuições importantes ao defender o valor adaptativo da “monogamia seriada”—uma pessoa pode ser monogâmica em vários relacionamentos levados ao longo da vida, e não em apenas um único—e mostrar as bases neurológicas da atração,essas também compartilhadas, até certo ponto, por outros primatas. “Trabalhos que aprofundam nosso conhecimento de como essa arquitetura biológica funciona simplesmente qualificam aquilo que nós já conhecemos de um ponto de vista fenomenológico.
Ou seja, não é porque agora sabemos que ocitocina e feromônios estão envolvidos nos nossos  comportamentos afetivos que eles deixam de ser os nossos comportamentos afetivos”, diz Strauss, frisando que indivíduos são repensáveis por suas decisões. Para ele, parece claro que a linhagem humana tenha passado gradualmente para um sistema de acasalamento monogâmico seriado ao longo dos milhões de anos de evolução humana. A evidência mais forte disso é a redução das diferenças entre machos e fêmeas, especialmente dos caninos.
“Entretanto, temos que tomar cuidado para não subordinar todas as demais modificações que  caracterizam a evolução humana a esse aspecto. Dizer que viramos bípedes para que os homens
pudessem defender as mulheres é algo sem nenhum fundamento. Até porque o bipedalismo se estabelece há quase 7 milhões de anos”, aponta.